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quarta-feira, março 10, 2004

Hipnótica vs. Loto vs. Gomo no Blitz

Depois de ler a crítica ao album dos Loto no Blitz de ontem, fico com a sensação que a nota que lhes foi dada (8/10) pelo jornalista Pedro Gonçalves é justificada com o facto de eles imitarem outras bandas, como os New Order, Primal Scream ou Happy Mondays, fazendo uma imitação competente. O Gomo também é bastante elogiado, sendo apelidado de "Beck Português" ou de fazer lembrar os Air.

Os Hipnótica viram o seu último trabalho, "Reconciliation", ser avaliado no Blitz por 7/10, pelo jornalista Jorge Mourinha. Nessa crítica foram criticados (e note-se que aqui a palavra é "criticados" e não "elogiados" como nos casos anteriores) por serem, supostamente, muito parecidos com David Sylvian. Isto além de ser dito que muito pouco do que está no album é original, e soa a imitações do jazz dos anos 50-60, além de Miles Davis dos anos 80.

Notam-se aqui duas abordagens bem diferentes. De um lado temos elogios à imitação e à falta de idéias e personalidade próprias. Do outro temos críticas a uma postura outsider no panorama da música feita por portugueses, além de acusações descabidas de se imitar isto ou aquilo. Quando muito os Hipnótica foram "influenciados por". Não me parece que tenham imitado seja quem for, ao contrário de outras bandas.
Mas será que há determinados géneros que são aceites que se imitem, e outros que nem por isso? Deveriam os Hipnótica ter mesmo imitado bandas de um género mais aceite para terem direito aos elogios que levam os Loto, o Gomo ou mesmo os X-Wife?

Foi pena que o album dos Hipnótica não tivesse sido criticado no Blitz pelo jornalista Jorge Manuel Lopes, que penso lhes faria mais justiça ao magnífico album que lançaram. Um dos mais interessantes criados por portugueses, para juntar ao "Comum" dos Três Tristes Tigres, ao "Oblique Musique" de Kubik ou ao "Lá où je dors" de Pedro Tudela, só para citar alguns.

Para além disto, quero deixar aqui claro que não concordo com as comparações feitas na crítica do Blitz ao album dos Hipnótica. Jazz dos anos 50-60 e Miles dos anos 80? Notam-se, isso sim, influências dos albuns "In A Silent Way" e "Bitches Brew" de Miles Davis (ambos 1969), dessa sua fase de fusão jazz-rock. É curioso que as influências desta fase de Miles Davis são muito mais acesas (com samples, citações e tudo) no album "Motion" dos Cinematic Orchestra, e isso nunca foi um problema para a crítica, antes pelo contrário, sempre o consideraram obra prima ou perto disso (eu também gosto muito do album).
Outra influência que se nota no album dos Hipnótica é a de Alice Coltrane, principalmente do album "Journey in Satchidananda" de 1970. Nada do Miles dos 80s, penso eu.
Continuam-se a notar os ambientes futuristas de William Gibson, da Singapura como descrita por este autor, de um oriente misturando hi-tech com as tradições milenares. Paz e solidão urbana.
Um grande album!

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