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quarta-feira, dezembro 08, 2004

Bark Psychosis : "///Codename : Dustsucker" (2004, Fire Records)



Graham Sutton voltou em 2004, depois do seminal album "Hex" de 1994, da aventura drum 'n' bass sob o pseudónimo Boymerang (da qual apenas resultou um excelente album, "Balance Of The Force", que na altura (1995) mereceu elogios da crítica e dos grandes nomes da cena d'n'b, casos de Goldie ou Photek) e de algumas colaborações com o projecto O.Rang (composto por músicos dos Talk Talk).
Passados 10 anos de inactividade desde projecto, reuniu um outro grupo de músicos (são 15 ao todo) e lançou este "//Codename : Dustsucker", um album que fala principalmente de sentimentos de solidão e melancolia.
O autor descreveu-o à revista Wire como "21st Century white urban music" e tendo sido influenciado pelo filme "Mullholand Drive" de David Lynch.
Alguns temas lembram o psicadelismo dos Bardo Pond, mas numa faceta mais jazzy e menos "sónica". Aparecem alguns apontamentos de electrónica ("Miss Abuse"), notas de piano perdidas, vozes femininas que se parecem perder num fim de tarde luminoso, sussurros de jazz nocturno, sopros de trompetes embriagadas pelos perfumes de uma noite de boémia, riffs de guitarra e sons concretos carregados de violência urbana.
"Burning The City" conta a história de um amor doentio que acabou, da solidão que ficou, da decepção. "Shapeshifting" é o ponto alto do album. Descargas eléctricas, feedback, noise, jazz contaminado por pequenas melodias perdidas, tudo muito bem embrulhado numa pop com uma doce voz feminina, com uma gestão primorosa dos silêncios.
Notam-se pontos de contacto com Talk Talk (o baterista Lee Harris participa neste album, ele que agora também acompanha Beth Gibbons) ou Mark Eitzel, mas os Bark Psychosis vão mais longe. Atrevem-se a experimentar, a tentar inovar, acabando a trilhar os caminhos do chamado pós-rock, evocando a espaços Tortoise ou Mogwai.
Este album é, acima de tudo, uma peça coerente e muito bem produzida. Claustrofóbico, denso, envolve o ouvinte do início ao fim. Ao cabo de algumas audições consegue-se apanhar um fio condutor de melancolia, abandono, noite, solidão, esperança.
É para mim o melhor album de canções do ano.

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