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quinta-feira, maio 19, 2005

AGF/Delay + Jamie Lidell no jardim do Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa (18 de Maio 2005)

As primeiras palavras têm de ser para destacar o magnífico espaço que é o jardim do Museu Nacional de Arte Antiga, na Rua das Janelas Verdes em Santos. Uma vista excelente para o rio Tejo, um jardim muito bem tratado e calmo, um espaço perfeito para concertos.
E quase perfeito, em sitonia com o espaço envolvente, foi o concerto de AGF e Vladislav Delay. Ela apresentou-se a manipular dois laptops, enquanto ele se sentou aos comando de uma bateria, logo desde início. Tivemos então os temas do album "Explode", todos eles algo alterados em vários pormenores, seguidos com improviso de bateria por parte de Vladislav Delay (ele que já tem experiência como baterista de jazz desde os 14 anos de idade). E a mistura resultou lindamente. A electrónica de cariz urbano, ora delicada, ora intensa, produzida pela AGF dialogou com os ritmos (muitas vezes a lembrar ambientes de improviso free jazz) do Vladislav Delay. Foi um diálogo de luz e sombra, ora com Delay a acentuar os ambientes criados pela electrónica, ora a ir deliberadamente chocar com eles, empurrando-os noutras direcções.
Os destaques vão para os temas "All Lies On Us" e “Explode”.
O primeiro, dedicado pela AGF a ”um dos mais influentes MC da história do hip-hop”, foi apresentado com uma delicadeza tocante. Melodia e ritmo em perfeita harmonia. O segundo revelou uma versão muito mais forte do que a apresentada no album. Aqui a bateria de Delay foi determinante, mais “free” do que nunca. Juntamente com a forma intensa e sentida como Antye Greie cantou o tema, foi o momento mais alto destes belos 50 minutos de concerto.
A seguir veio Jamie Lidell, que começou o seu concerto a acompanhar uma gravação de um tema soul/funk com a sua voz por cima da do vocalista original. Depois continuou a cantar, já sem música, e a gravar aquilo que cantava. Aproveitou pedaços para fazer a música que foi apresentando, alterando, esticando, fazendo várias mutações com o som da sua voz, no meio do caos da bancada de sintetizadores onde se encontrava. A partir de certa altura tornou-se um pouco monótono, exagerando no caos, na repetição, que tentava misturar com pedaços perdidos de Prince, soul e funk. Abandonei o concerto passada a primeira meia-hora.
Uma palavra final para o público. Este era um evento apenas para convidados, o que deu origem a que os presentes nada soubessem ou conhecessem sobre os projectos que ali actuavam. E também não estavam ali para conhecer ou dar uma oportunidade a algo novo... Entre VIPs, figuras da política nacional, o objectivo foi ver e ser visto e não ouvir o que os grupos tinham para apresentar. É pena.
Espera-se por um outro concerto de AGF/Delay, agora num espaço onde todos os admiradores possam comprar bilhete e ver o concerto.

Comments:
If you like AGF/Delay. you should check out AGF's great new collaborative DVD/cd out w/ Sue C (Gold Chains).
http://www.minimoviemovement.com/
 
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