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sexta-feira, maio 06, 2005

Manyfingers + Matt Elliot na Galeria Zé dos Bois, Lisboa (05 de Maio 2005)

A noite começou com Chris Cole, mais conhecido como Manyfingers. Apresentou apenas 4 temas, sendo apenas um deles retirado do primeiro album homónimo. Esse tema foi "Ballybane", e a versão ao vivo chegou a superar a do album.Primeiro de tudo pela duração, mas principalmente pela intensidade que foi imprimindo ao longo da canção, num crescendo de emoções lento e esmagador, que finalizou com todos os sons a fundirem-se num único ruído contínuo, quase insuportável. Ou como o noise pode carregar sentimentos.
Os temas do novo album não desiludiram, muito pelo contrário. Continuam com a mesma táctica de deixar melodias e ritmos em loop constante, de ir sobrepondo loop sobre loop, numa constante pesquisa pela formula perfeita que transforme o silêncio em emoções. Uma das novidades foi a forma como os ritmos, tocados numa bateria, se
encaixaram perfeitamente nas cordas, no piano, na guitarra, etc. Chegou a dar vontade de levantar da cadeira e começar a dançar, principalmente no último tema, com um groove diabólico a rodear a habitual melancolia, enquanto Manyfingers gritava "RAIN!" em momentos escolhidos ao microscópio, para aumentar ainda mais a adrenalina. Soube mais tarde que se tratava de um tema de revolta contra a chuva constante que cai em Bristol e a melancolia que ela arrasta.
Mais uma vez foi muito aplaudido, e de negativo apenas ficou o sabor a pouco. Quatro temas foi pouco, apesar de ter sido o suficiente para confirmar Manyfingers como alguém a ter em conta.

Depois veio Matt Elliot, mais uma vez acompanhado de Chris Cole. Foi também um bom concerto, que nos permitiu viajar desde os balcãs até cabarets fumarentos e mal frequentados em França. E outra vez a maldita melancolia por entre loops de guitarra, voz e piano.
Confesso que ainda não conheço "Drinking Songs", o último trabalho do britânico, mas fiquei com muita curiosidade.
No final pudemos matar saudades do seu antigo projecto, Third Eye Foundation. Ritmos diabólicos drum'n'bass, algum noise, almálgamas de melodias em piano perdidas, notas de violoncelo completamente embriagadas, guitarras
dedilhadas por trovadores negros, saudade e tristeza num caos digital. Foi um dos momentos mais altos da noite.
Quem puder ver esta dupla, hoje no Porto e amanhã em Leiria, não percam!

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