<$BlogRSDURL$>

quinta-feira, outubro 13, 2005

Vladislav Delay : "The Four Quarters" (Huume Recordings, 2005)



As primeiras impressões ao ouvir este trabalho do finlandês Sasu Ripati sob o disfarce Vladislav Delay (aka Luomo, Uusitalo e Sistol), são de que há continuidade em relação aos albuns anteriores.
Tudo começou nas editoras Chain Reaction e Mille Plateaux, com os excelentes albuns "Multila" e "Entain". O som apresentado nesses albuns (ambos de 2000) ficou como imagem de marca do projecto: ambient carregado com um dub fumarento, sons concretos e leves beats abstractos, todos passados pelo mesmo filtro, como se tivessem sido "branqueados", com o ritmo muitas vezes a ser marcado com ondas de estática. Como se olhassemos fotos, em que um momento capta mil momentos. Esta música é feita desses momentos, de uma beleza singular. O ambiente criado é de imersão total, como uma droga que envolve o o cérebro e o obriga a pensar a vida em câmara lenta. Este som terá talvez parentesco nas aventuras dub-electrónicas dos The Orb, com o ponto alto no album "Orbvs Terrarvm".Também Brian Eno, claro. IDM e free jazz completam o bouquet. Mas Vladislav Delay conseguiu definitivamente criar uma identidade própria.
Em "Demo(n) Tracks", de 2004, os ambientes já não eram tão densos, havia mais espaço, mais jogo com os silêncios, algo de orgânico espreitava.
Agora, com "The Four Quarters", temos quatro temas, cada um de aproximadamente um quarto de hora, cada um com a sua história para contar. Há cada vez mais espaço para respirar. Por entre o pulsar do dub, por entre os ruídos das marés de agitação que invadem a cidade, dia após dia, há sons concretos que contam histórias de encontros e desencontros, frequências perdidas que contêm suspiros de quem sai de um edifício e volta a respirar o ar da rua, pulsares nervosos que lembram improvisos do baterista de jazz que vive dentro de Vladislav Delay, sorrisos delicados, discussões.
É muito complicado analisar um album destes, uma tamanha tempestade de pequenos momentos, de sentimentos fugidios, de um enorme mundo de onde, quando se entra, já não se quer sair. Ouçam na escuridão. Deixem-se levar.
Album do ano? Muito provavelmente. De certeza o melhor deste projecto.

Comments:
Para mim é bem capaz de ser o meu favorito do Delay... mas preciso de mais tempo para saber isso ;)
 
Enviar um comentário


referer referrer referers referrers http_referer

This page is powered by Blogger. Isn't yours?