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terça-feira, novembro 15, 2005

Jan Jelinek : "Kosmischer Pitch" (2005, ~scape records)



Jan Jelinek é alemão, de Berlim, e tem um gosto especial por house. Especialmente pela sua vertente mais minimal e jazzistica. Ficou conhecido por alguns singles que lançou como Farben na editora Klang Elektronik (depois compilados no album "Textstar" de 2002), house minimal misturado com ambient. Já deixavam adivinhar uma progressão na direcção do click-house ou do techno (como no album "Personal Rock" de 1999, lançado como Gramm na editora Source Records).
Já assinando como Jan Jelinek, ligou-se à editora ~scape (propriedade de Stefan Betke, mais conhecido por Pole) e lançou uma obra muito importante, "Loop-Finding Jazz Records" (2001), onde trabalhou samples de discos de jazz antigos, transformando-os em loops e suaves fluídos, que arranjou com a mestria de um Biosphere. Criou um album quase perfeito, onde o som se mistura com o silêncio, e os loops de samples de jazz nos fazem tão depressa deixar envolver como nos sobressaltam de emoção. Um todo em divina suspensão, com o dub sempre à espreita.
No ano seguinte apresentou outra obra excelente, "Improvisations And Edits, Tokio 26-09-2001" (2002, Audiosphere), um concerto onde se apresentou em conjunto com os japoneses Computer Soup, autores de jazz misturado com elementos electro-acústicos. É um album dificil, mas onde Jelinek explora um minimalismo bastante diferente do que apresentou no album editado na ~scape. Uma longa sessão de improvisação, com os dois projectos em diálogo, a encontrarem pontos de vista em comum. Muitíssimo interessante.
Este gosto pela mistura do que produzia com o seu laptop, com grupos que misturassem electrónica e instrumentos acústicos "ao vivo" foi retomado em "1+3+1" (2003, ~scape), onde se juntou com o grupo Triosk, um trio australiano, e trabalhou através da Internet, com os temas a andarem para trás e para a frente até ao produto final. Juntaram-se todos para uma digressão posterior ao lançamento do album. O resultado era bom, ainda que aquém da mestria mostrada anteriormente.
Ainda em 2003, afastou-se do jazz no lançamento "La Nouvelle Pauvreté", onde anunciou um grupo imaginário - The Exposures - que supostamente teriam tocado com ele. Foi um regresso ao universo do click-house, mas mais perto do que foi apresentando como Farben. Usou a sua própria voz como mais um elemento, afastou-se do silêncio, e chegou-se mais perto do universo da dança, do pop ou mesmo da soul. Não é um disco que me entusiasme tanto como os outros, embora seja interessante.
Agora, em 2005, volta o mago do clicks'n'cuts, desta vez com uma homenagem aos tempos do Krautrock. Apresenta um disco hipnótico, feito de loops de guitarras e outros instrumentos, que supostamente foi retirar a clássicos da "música cósmica" dos anos 70, de bandas como Popol Vuh, Can, Cluster ou mesmo Neu!. Aliás, o espectro destes últimos parece pairar sobre um dos melhores momentos do album, "Lithiummelodie 1". Sob um ritmo reminiscente do house minimal, mas mais lento, entre um loop de estática, repetem-se num círculo hipnótico alguns acordes de guitarra. O ritmo parece ir aumentando cada vez mais a intensidade, vários sons que parecem retirados de sintetizadores cósmicos com defeito impregnam o tema, tudo parece pronto para descolar a qualquer momento. Uma intensidade contida que serve de exemplo a todo o album.
Vibraphonspulen é outro destaque, com Jelinek a mostrar como é um "mestre do silêncio", pela forma como o consegue gerir, como acumula subtileza após subtileza, num todo que embala o corpo e impele a mente a viajar. "Loop-Finding Jazz Records" está sempre presente, mas agora com uma temática desligada do jazz e muito aproximada à procura do infinito, ao escapismo, ao espaço sideral. Repetição após repetição, a mente é hipnotizada. Há sempre um micro-groove viciante para satisfazer o corpo, mas as camadas infinitas de pormenores são um alimento muitíssimo apetitoso para o cérebro. Confirmar em "Im Discodickicht". Confirmar em todo o album, que não se deve perder.

Comments:
Gosto muito, mesmo ... muito interessante o facto de ser música feita para se ouvir única e exclusivamente a sós ... o Jan Jelinek e eu. É assim que eu sinto o Jan Jelinek.
 
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