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terça-feira, dezembro 13, 2005

(Recordação de um texto que escrevi em Novembro de 2002. Serve para matar saudades enquanto se aguarda o novo disco dos Twine : "Violets", esperado na Primavera de 2006 pela Ghostly International)

TWINE : "Recorder" (Bip-Hop 2002)



Imaginem um tempo em que seria possível gravar os sonhos das pessoas. Fossem eles agradáveis ou o mais medonho e assustador dos pesadelos, seria possível entregá-los às pessoas num qualquer suporte (o cd por exemplo) e essas pessoas teriam o previlégio de conhecer os mais profundos desejos, medos e ambições filtradas pelo subconsciente do sujeito original. Essa pessoa poderia mesmo tornar-se uma estrela e ser adorada por multidões que se identificassem com esses sentimentos, que vibrassem com eles, enfim, que comprassem religiosamente o suporte em que eles eram disponibilizados.
O disco dos Twine poderia ter sido feito dessa maneira, como se os dois autores tivessem conseguido transformar em sons os seus mais profundos sentimentos. As imagens desses sonhos são criadas pelo nosso subconsciente à medida que ele responde aos estímulos sonoros.
Este é um disco que não inova. Este tipo de electrónica já foi feita anteriormente, é verdade, mas nunca com tanto sentimento. Aqui estamos perante um sonho feito de vários pedaços soltos, como estilhaços de vários espelhos, cada um com uma cor diferente. Pedaços de sol, pedaços de escuridão, medo, adrenalina, vertigem ou conforto. E o no fim o sentimento é de completude.

Estamos nos terrenos descobertos por Fennesz ao longo dos seus três albuns. Mas temos de juntar o sentimento e as melodias de "Endless Summer" e os curto-circuitos e a escuridão planante de "Hotel Paral.lel" e do album das coordenadas. Alguma da electrónica abstracta do "Ep 7" dos Autechre e um sentimento muito original que mistura notas soltas de guitarra com samples de filmes e com a procura do erro. Glitch sentimental IDM? Não sei nem interessa. O que realmente interessa é o ouvinte baixar as luzes e concentrar-se neste album, deixar-se levar para esse mundo dos sonhos.
Como se ouve no último tema, num sample que me parece retirado do filme "Estrada Perdida" de David Lynch (uma voz feminina, penso que é Patricia Arquette):
"I Know I should be sad, and i am, part of me is. But It's like... It's like i'm having the most beautiful dream, and the most beautiful nightmare all at once..."
É assim o mundo dos sonhos. Belo e assustadoramente solitário. Como num pesadelo?

Um mundo como o que descrevi é retratado no conto "Winter Market" de William Gibson. Lá o narrador escreve, a certa altura:
"True artists, are able to break the surface tension, dive down deep, down and out, out into Jung's sea, and bring back well, dreams. These dreams are then structured, balanced, turned into art."

Comments:
belo texto e teaser neste caso, que não conheço. resta esperar que o som corresponda :)

pecasso.
 
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