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quinta-feira, fevereiro 24, 2005

Polar : "Light Years" (Mp3 - 2004 EN:PEG Digital)



Polar são o duo português Nuno Rosa e Ricardo Costa.
Neste album apresentam uma electrónica bastante emocional, na onda de Arovane (fase "Atol Scrap") ou Proem (perto do som de "Socially Inept"). Mas há algo mais. Conseguem, através destes sete temas que tomam cerca de 45 minutos, criar um objecto com vida própria, algo muito agradável de ouvir.
Não é o tipo de trabalho que se revele completamente à primeira audição. Exige atenção aos pormenores, que enchem este disco, entre ambientes futuristas, ritmos disconexos, e muito sentimento.
No primeiro tema, "Krakatoa", o ritmo lento e o ambiente espectral traz à mente o primeiro album da Neotropic. O tema título do album transporta o ouvinte para a solidão das grandes cidades hiper-desenvolvidas, aquelas por onde Monolake nos costuma levar a passear mentalmente. A imensidão das luzes artificiais, pontinhos brilhantes na escuridão, sombra, silêncio e ritmo. "Bransky" continua por esses caminhos, em ritmo mais nervoso, deixando tudo suspenso no ar, até finalizar este belo album.
Este trabalho é muito aconselhável, perfeito como banda-sonora para os momentos de crepúsculo de quando o sono nos empurra para o inconsciente.
Falta apenas dizer que este album foi lançado no formato MP3, na EN:PEG Digital, uma editora associada à N5MD e também dirigida pelo mesmo Mike Cadoo (membro dos Gridlock, Dryft e Bitcrush). Custa apenas 2 dólares, uma pechincha que inclui toda a artwork em formato PDF, e pode ser pago através de Paypal. Comprar aqui.

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Alva Noto: "Transall Cycle (transrapid - transvision - transspray)" (3 CD - Raster-Noton 2005)



Alva Noto é o alemão Carsten Nicolai que se tem notabilizado pelas suas experiências na depuração do som até ao pormenor mais infimo, procurando através da exploração do silêncio e do ruído (que aqui encontra conexões com o tecno) provocar reacções no ouvinte, tanto ao nível fisiológico como ao nível psicologico. Esta exploração quase cartográfica tem sido uma das linhas de força da editora Raster-Noton, e é feita com batas brancas e precisão cirurgica. Na mesma linha de força, é como se o eixo do mal da 2ª guerra mundial (Alemanha e Japão) resurgisse no século XXI para dar cabo da impulsividade que caracterizou a música na 2ª metade do século XX. Ryoji Ikeda, Alva Noto, o veterano Ryuichi Sakamoto, Taylor Deupree, Pan Sonic e outros, procuram novas formas de comunicação com o ouvinte, que é obrigado a ouvir música não apenas com os ouvidos. Na primeira passagem de Alva Noto por Portugal no Festival Número isso foi particularmente evidente: essa vibrante actuação mostrou Carsten Nicolai a guiar autenticamente a plateia, como se de uma viagem se tratasse.
"Transall Cycle" marca o retorno de Carsten Nicolai, desta vez com 3 mini-álbuns que constituem um ciclo marcado pela ideia de viagem. Transporte através de conceitos. O silêncio continua marcante, mas aqui as raizes da tecno e da EBM (Electronic Body Music) encontram-se evidentes. Os 3 discos são quase primos do "Kesto" dos Pan Sonic, embora as coisas aqui sejam mais contidas e procurem criar um espaço. A força e o poder que caracterizavam "Kesto" dão aqui lugar a noções de movimento e limitações espaciais, criando novas paisagens mentais. Obviamente as raizes dos Pan Sonic encontram-se ainda muito ligadas ao rock de uns Suicide, enquanto Alva Noto é digital até à medula. O que torna, contudo, "Transall" aliciante é o facto de por aqui se poderem detectar emoções e sentimentos subtis, como se pequenos micróbios se estivessem a entranhar nas paredes brancas da sala, micróbios que Alva Noto parece apostar em deixar fermentar. Algo que de resto já tinha acontecido na anterior colaboração de Alva Noto com o Ryuichi Sakamoto. Estes são sons dificeis para iniciados, que valem a pena explorar.

Para Maio está marcado um novo lançamento da dupla Alva Noto & Ryuichi Sakamoto chamada "Insen".

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Monolake : "Invisible Force" (12'' - 2005 Imbalance)



Robert Henke está de volta com um 12 polegadas, depois do excelente album "Momentum" (2003).
Este vinilo tem 2 temas ("Invisible" e "Force"), duas amostras do novo album que será lançado no Verão deste ano, com o nome "Polygon Cities".
Pelas amostras, o som Monolake está mais calmo. Já não é tanto a gigantesca rave maquinal passada numa qualquer siderurgia que compunha o último album, mas mais um regresso aos sons de "Cinemascope" (2001), ambientes futuristas de metrópoles, talvez a fazerem lembrar a Berlim do autor.
"Invisible" adapta-se muitíssimo bem aos romances cibernéticos de William Gibson, com samples de uma voz feminina, sexy e algo robótica, a polvilharem todo o tema. O ritmo é dançável, mas o que vem à mente são viagens, ambientes urbanos, arranha-céus, passeios nocturnos por metrópoles que nunca dormem.
"Force" continua a impedir que o corpo do ouvinte fique quieto, oferecendo um ritmo contagiante e minimal. Outro belo tema, bastante hipnótico.
Espere-se agora ansiosamente pelo próximo 12 polegadas, que sairá em Abril, com mais dois temas ("Axis / Carbon") do novo album.

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terça-feira, fevereiro 22, 2005

Quantum Ducks sem comentários

Apesar de gostarmos muito de ler as reacções das pessoas que frequentam este blog, achamos que o número de comentários não justificava uma transição do sistema da haloscan (aparentemente inactivo) para um outro sistema. Devido a esse facto, os comentários foram retirados deste blog. Contudo continua a existir a possibilidade de nos contactarem por mail, e sempre que se justificar esses comentários poderão ser publicados no Blog (com mais destaque, portanto).

Se entretanto notarmos que se justifica o retorno dos comentários, eles irão reaparecer.

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quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Upland : "Obliterated" (2005 Jester Records)



IDM bastante abstracta, na linha dos Autechre pós-EP7. Mas ao nível dos melhores trabalhos dos mestres.
Upland é um Norueguês (Knut Andreas Ruud), fan dos Autechre (escreveu a FAQ do newsgroup alt.music.autechre, há uns anos) e edita na Jester Records (editora, entre outros, dos Ulver).
Este é o segundo album (o primeiro é de 2002, chama-se "Upland" - também muito bom), e o som evoluiu bastante. Mesmo com poucas audições, estou pasmado com o som destes 32 minutos.
Ambientes artificiais, robóticos e áridos, mas ao mesmo tempo com uma grande dose de humanidade. Como se cada tema tivesse várias pistas, uma com ambient, outra com um funk maquinal, outra com leves descargas de noise, etc., e o ouvinte pudesse seleccionar ouvir a preferida. Complexo e viciante.
Destaque para temas como "Field Interference" e "00.00.00", dois temas entusiasmantes, cada um deles com um feeling algo funk-hip-hop (no primeiro há noise que parece aparecer em cadência de scratches, no segundo o ritmo das batidas metálicas não engana). "Field Interference" é, ao mesmo tempo, extremamente desolador, com samples de cordas a darem um tom algo épico.
A ouvir por todos que se interessem por IDM, e pela evolução do género.
Finalmente, a curta duração do album é perfeita, sem nenhuma "gordura" a mais.

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quinta-feira, fevereiro 10, 2005

Rui Gato "Chaosmos EP" (Test Tube, 2005)



No entusiasmante mundo das Net Labels, há uma portuguesa que começa a distinguir-se pelas muitas e boas coisas que vai lançando. Em pouco tempo a Test Tube (Netlabel da editora Monocromatica) já lançou 9 excelentes EPs em mp3 de artistas como Phoebus e Lanolin. Agora chegou a vez de Rui Gato, que lançou com o nome Elastic Void um dos melhores álbuns de electrónica de 2002 na Monocromatica. Abandonando um pouco o mundo dos beats, "Chaosmos" é composto por 3 momentos. O tema "M1" é um drone ambiental de camadas de sons, que tanto pode constituir um momento de quase chill out, como pode denunciar um lado obscuro e opressivo. "M2 Extended" é completamente diferente, retirando rapidamente o ouvinte de uma possivel semi-dormencia através de sons concretos impregnados de ecos derivados do Dub. "M3 Final" termina o EP com ruidos ásperos e white noise, injectados por um groove inesperado. A meio o groove dissipa-se no meio de algum caos aparente, que se reorganiza em torno de sons reconheciveis entre máquinas de escrever e comboios fantasmas. É abrasivo, mas é também irresistivel.

Podem obter este EP através do seguinte link:

http://www.monocromatica.com/netlabel/releases/tube009.htm

Enjoy.



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quarta-feira, fevereiro 02, 2005

Akira Rabelais - "Spellewauerynsherde" (2004, Samadhisound)



Akira Rabelais é o autor de um dos álbuns mais estranhos de 2004. "Spellewauerynsherde" é um trabalho simultaneamente lirico e abstracto, baseado em lamentos vocais perdidos na Islandia dos anos 60. Um autêntico sonho, tocado por uma imperceptivel beleza quase celestial, este é também um disco que vai para além da melancolia: é profundamente triste sem ser deprimente. Embala a alma, levando o ouvinte para o outro lado onde as coisas são sempre possiveis desde que o nosso inconsciente assim o permita. Akira Rabelais dá ao ouvinte toda a liberdade para imaginar o que está por de trás das estranhas vozes que se entranham na mente como o mercúrio liquido dissolve o ouro. A espaços nota-se alguma semelhança com projectos como The Caretaker ou Colleen, noutras alturas estas vozes parecem Third Eye Foundation despido de batidas (não há um único beat neste álbum), mas no entanto este é um disco simplesmente impossivel de catalogar. É muito belo e único.

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