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quarta-feira, março 23, 2005

Noticias dos Autechre

O novo álbum "Untilted" irá sair em Abril (provavelmente no dia 18 de Abril na Europa), e ao que parece a capa do novo disco já foi divulgada:



Para além duma pequena digressão europeia, saiu uma compilação de remisturas de canções dos Earth, banda obscura de Seattle com quem Kurt Cobain dos Nirvana chegou a tocar. É uma boa oportunidade para ver como os drones de guitarra dos Earth se ligam aos bleeps fervilhantes dos Autechre.



ARTH "LEGACY OF DISSOLUTION" CD (NOQ007)

Here is the tracklisting:

1. Teeth of Lions Rule The Divine - Remixed by Mogwai
2. Tibetan Quaaludes (Waveset Sloth Mix) - Remixed by Russell Haswell
3. Thrones and Dominions - Remixed by Jim O'Rourke
4. Coda Maestosa in F(flat) Minor - Remixed by Autechre
5. Harvey - Remixed by Justin Broadrick
6. Rule The Divine (Mysteria Caelestis Mugivi) - Remixed by SunnO)))

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terça-feira, março 08, 2005

Children for Breakfast "Ham" (mp3, YANSR, 2005)



Os Stealing Orchestra continuam a apostar forte na sua net label, a You Are Not Stealing Records, lançando EPs com uma cadência de 1 em cada 2 - 3 meses. Desta feita foi a vez de Gustavo Costa mostrar a sua faceta. "Ham" foi composto por ele e notam-se traços francamente diferentes do anterior EP da Stealing Orchestra (o "Bu!") que tinha sido composto por João Mascarenhas. A influência dos filmes série B dá aqui lugar a uma electrónica mais obscura com conexões aos sons esquecidos dos Univers Zero, do alemão Holger Hiller e dos Cluster. É uma música mais abstracta, refilona, algo turbulenta, feita de uma forma artesanal. O lado irrequieto deve-se, em grande parte, à forma rápida e seca com que se desenvolve as melodias, como se estar parado fosse sinónimo de apatia. Estas seis canções atiram-nos para um imaginário infantil, perdido algures nos anos 70 entre o som de um Moog do Dr. Who e o anuncio a uma nova televisor de alta tecnologia a preto-e-branco. Para além de tudo isto temos como bónus os titulos delirantes com que se decidiu chamar estas canções. O delirio surrealista aliado ao sorriso infantil destas crianças que nos oferecem para o pequeno almoço é irresistivel. Nham, é mesmo delicioso.

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Lançamento da Mono''cromatica

Nicolette "Life loves us"



Finalmente o novo álbum da Nicolette foi lançado através da editora portuguesa Mono''cromatica. Encontra-se à venda nas bancas de jornais juntamente com o jornal Blitz, custando apenas €8,90. É uma oportunidade imperdivel para ter em casa uma das vozes mais emblemáticas da electrónica inglesa da década de 90. Este novo álbum pega em pistas antigas, procurando novas perspectivas para um tipo de sonoridade que poderia estar datada. A Nicolette pega nessa sonoridade com uma perspectiva muito pessoal, produzindo um disco complexo nos detalhes e ao mesmo tempo apresentando a acessibilidade de um bom disco pop. É para ouvir muito mais vezes, porque este trabalho é aquilo que em inglês se chama grower.

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quinta-feira, março 03, 2005

Syndrone : "Salmataxia" (2004, Merck)



Os primeiros segundos deste album servem para testar desde logo a resistência do ouvinte. Carrega-se em play e é-se bombardeado com mil minúsculos fragmentos sonoros, envolvidos em ondas de estática que ora se comprimem ora se distendem, enquanto uma melodia macabra se insinua aos poucos. É um começo complicado, que tanto pode fazer com que, instintivamente, o ouvinte esmague o botão stop, como provocar um sorriso.
Vale a pena persistir. É um album dificil, que premeia os mais audaciosos e insistentes. Ritmos partidos e repetitivos (soam algo familiares a alguns albuns de industrial dos anos 90), muito abstractos, melodias muito estranhas, mesmo diabólicas (à medida dos Coil, por exemplo), noise, estática. Universos que não pertencem aos imaginários mais comums. Após algumas audições, começam a aparecer as peças que permitem compreender melhor este estranho puzzle, as melodias, os sentimentos.
Travis Stewart deu uma entrevista em 2002, onde explica o seu percurso como ouvinte, até chegar À electrónica. Segundo ele, começou com os Metallica de "And Justice For All", passou aos Ministry de "Psalm 69..." e através destes descobriu os Skinny Puppy. Aqui (no oitavo ano) investigou toda a cena industrial. Então algum outro fan de Skinny Puppy lhe aconselhou Download, o que lhe abriu as fronteiras e o levou aos Autechre, e "Tri Repetae" tornou-se num dos albuns da sua vida (nada de estranhar, diga-se).
Este é um percurso que diz muito da música que se pode ouvir neste album. Há aqui uma tentativa de pegar nos dois últimos albuns dos Autechre, "Confield" e "Draft 7.30", e tentar seguir pelo caminho que eles iniciaram. Penso que é um objectivo que é aqui atingido com sucesso, chegando mesmo a conseguir incutir mais emoção, criando pormenores lindíssimos que se misturam com a produção irrepreensível.
Tanto para quem se queira perder nos infinitos pormenores, nos infindáveis pequenos sons, melodias doentias, lamentos, como para quem queira apenas apreciar o que é possível fazer com um portátil, e imaginar-se num futuro distante e hiper-tecnológico, este é um album para aventureiros.

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quarta-feira, março 02, 2005

Low "The Great Destroyer" (Rough Trade - 2005)



Neste momento já há alguns meses que os maiores fãs de Low sabem que "The Great Destroyer" é a maior ruptura de sempre na carreira desta banda. Já lá vão mais de 10 anos desde que "I could live in hope" foi lançado, e nas várias gravações editadas pelos Low era reconhecivel um som depressivo (e deprimente), normalmente muito lento e com letras desesperadas. Uma música triste, sem esperança, com raiva escondida. E no entanto era fácil pressentir que um dias as coisas podiam mudar. Por exemplo, no último álbum (o "Trust") havia uma canção chamada "Canada" que parecia romper a aparente acalmia que reina nos álbuns mais antigos do grupo. "The Great Destroyer" pega justamente nesse ponto. Abandonando a editora de há muitos anos (a Kranky), preferindo a Sub Pop, os Low fizeram um álbum que rasga literalmente o passado do grupo e a sua imagem de marca. As guitarras distorceram-se, elevaram o volume do som, e as vozes quase que gritam. Em comum continuam as letras, embora sejam um pouco menos depressivas que as dos álbuns anteriores (mas não muito). Algumas canções chegam a aproximar-se perigosamente do pop-rock mais convencional, mas são imediatamente resgatadas da luz. Canções como "California" são um bom exemplo disso. É um daqueles discos para dividir opiniões e causar algumas paixões (e ódios também). Ainda assim o universo dos Low está aqui todo, e o que mudou foi a forma, não a essencia. Os Low não podiam viver uma vida inteira sempre cabisbaixos, algum dia a raiva teria que se expandir. "The Great Destroyer" é o Big Bang dos Low.

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