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quarta-feira, maio 17, 2006

Boxcutter : "Oneiric" (Planet-Mu, 2006)



O dubstep parece estar a produzir albuns interessantes. Boxcutter, um dos artistas do género em quem é depositada muita esperança, edita o seu primeiro album na Planet-Mu, depois de ter chamado a atenção com vários 12'', principalmente com o single ‘Brood/Sunshine’ na editora Hotflush. Esses 12'' aparecem todos neste album.
E de que trata o dubstep segundo Boxcutter? De subgraves fortíssimos, que envolvem ritmos que não chegam a ser drum'n'bass devido ao seu curioso tempo, que deixa espaço para outros estranhos sons e pequenas melodias se manifestarem. E o silêncio, que bela gestão Boxcutter faz do silêncio. Ambientes de tensão, sempre na beira do abismo, prestes a explodir. Mas há sempre mais, outra espiral de baixos densos, de detritos, quase industrial. O primeiro tema, "Grub", é tudo isto e muito mais.
Não é música de dança para as pistas, pelo menos para as convencionais. Mas a verdade é que apetece ouvir este som no melhor sistema possível, e muito alto. É o tipo de som que se sente pelo corpo, as vibrações são imensas. Cru, violento, de alguém cheio de energia. Como aquela colecção de temas bem antigos do Aphex Twin, o "Classics"?
Em "Hyloz" os ambientes desolados por onde se perderam os sonhos de Aphex Twin em "Selected AmbientWorks II" são revisitados, envolvidos por batidas igualmente assustadoras. Venetian Snares ou Haujobb também sonharão com estes ambientes eléctricos?
Photek dos EPs "Hidden Camera" e "Ni-Ten-Ichi-Rye" vem à cabeça, principalmente pelos ambientes de tensão e pela imaginação dos ritmos e do espaçamento dos beats. Também os primeiros dois albuns de Icarus tinham essas características. A época de ouro do drum'n'bass, portanto. As referências acumulam-se mais do que parece razoável, mas mesmo assim há aqui um traço distintivo. Algo que nos permite dizer que este album pertence já ao Século XXI.
"Chlorophyll" e "Sunshine" já não são dubstep mesclado com inúmeras referências, são IDM, electrónica muito interessante.
Talvez Boxcutter possa ser lembrado daqui a algum tempo como o Aphex Twin ou o Squarepusher do dubstep. Se continuar com este nível de qualidade, há boas hipóteses disso acontecer. Há no entanto a desvantagem deste album ser maioritariamente uma colecção de temas já editados anteriormente e separadamente. Ainda que se note muita qualidade em cada um deles, quando for pensado um album inteiro e coeso, talvez tenhamos uma obra maior da electrónica.
Entretanto, leia-se esta excelente entrevista. Fica-se a saber que Boxcutter aprecia jazz cósmico, com Alice Coltrane, John Coltrane e Pharoah Sanders ao barulho... Refere "The Creator Has A Masterplan" deste último como influência neste album, principalmente ao nível da percussão. Curioso ainda que Mike Paradinas, patrão da Planet-Mu, tenha recusado editar Boxcutter em 2003 porque o demo que recebeu era demasiado parecido com o acid jungle que nessa altura era produzido por... Aphex Twin e Squarepusher!

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Bypass na Má Fama a 22 de Maio


Na próxima Segunda Feira, dia 22, às 22 horas, os portugueses Bypass vão estar em discurso directo na Má Fama – Libertinagem no Éter, a propósito da edição de “Mighty Sound Pristine”.


A Má Fama, programa da Rádio Zero, da autoria de Sérgio Hydalgo, transmite semanalmente uma hora da música mais aventureira de mãos dadas com o Sol# e Dó# .


+ info :

http://mafama.blogspot.com
http://radio.ist.utl.pt
www.bypass.ws
 
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