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terça-feira, maio 16, 2006

Herbert : "Scale" (K7!, 2006)



Matthew Herbert está de volta com este novo "Scale". No ano passado lançou "Plat Du Jour", um album que não me entusiasmou, e ficou mesmo aquém da experiência com uma big-band de "Goodbye Swingtime". Mas, depois de dois lançamentos menores, desta vez parece ter voltado à boa forma de "Around The House", e principalmente do fantástico "Bodily Functions".
Neste trabalho a misturada é enorme. Soul, funk, disco, r'n'b, jazz e house convivem com muito groove e abanar de anca. O som está solto e relaxado, talvez porque desta vez Herbert deixou de lado as regras e restrições que impunha a si próprio desde 2000, no "contrato" PCCOM. Um bom exemplo dessa liberdade é o primeiro single deste album, "The Movers And The Shakers". Neste tema misturam-se pedaços do experimentalismo habitual, com vários micro-organismos sonoros a rastejarem subterraneamente através do tema, ecos das marchas das brass bands de New Orleans, uma voz masculina próxima do soul de Stevie Wonder, tudo enrolado num ritmo que agarra do princípio ao fim.
"Something Isn't Right" fala da iminente quebra de uma relação, apresentando-a da maneira mais sexy e cool que possamos imaginar. A voz sedutora de Dani Siciliano é acompanhada por uma voz masculina feita de veludo, na tradição de Marvin Gaye. As duas vozes, quase em falseto, fazem os corpos dos ouvintes ondular pela pista de dança, enquanto uma secção de cordas faz a bola de espelhos girar lentamente. Essa bola de espelhos entra em loucura ao terceiro tema, "Moving Like a Train". O ritmo disco e a voz de Siciliano trazem bolinhas coloridas e pistas de dança cheias de homens de fatos justos como Travolta em "Saturday Night Fever". Tudo isto oferecido, mais uma vez, pela secção de cordas. A fazer lembrar o excelente "Plans & Designs" dos Faze Action. E pensar que esse album já tem quase 10 anos... "Harmonize", que vem a seguir é o tema que mais lembra "Bodily Functions". Mais próximo do house e do jazz, ritmado e melódico, uma delícia.
A festa continua album fora, apenas quebrada por alguns temas mais calmos. Ao nono, "Movie Star", temos a prova do já várias vezes confessado amor de Herbert e Dani Siciliano pelo r'n'b. Começa como se de uma banda sonora de um filme se tratasse, com a big-band em acção e o sample de um projector em fundo. Mas vai-se transformando a pouco e pouco, mostrando um ritmo cheio de breaks em câmara lenta, com a voz de Dani Siciliano a ficar muito sexy, ora sedutora, ora dominadora."I'm feeling like a movie star" "What is it you want me to, what is it i have to do?" "It's just like a movie, direct me in it, cut the bits you don't like out". Perversão e doçura. Imaginemos Beyoncé em cabedal e voz sexy.
É sem dúvida um album que se ouve muitíssimo bem, cheio de pormenores para descobrir. A grande questão é saber se este "açucar" que mostra aguentará a passagem do tempo. De qualquer forma, agora é simplesmente viciante.

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