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sábado, junho 17, 2006

Helios : "Eingya" (Type Records, 2006)



Sempre que ouço este disco, e tem rodado bastante cá por casa, desde o primeiro tema que o tempo parece passar mais vagaroso. O ritmo da respiração do ouvinte abranda, os olhos humedecem levemente, a garganta aperta. O peso da beleza do trabalho que Keith Kenniff apresenta é sufocante. Nada que não nos tivesse já habituado, seja sob o pseudónimo de Helios (magnífico "Unomia", lançado na Merck em 2004) ou de Goldmund. Mas este album bate tudo o que ele já fez anteriorente.
Em vez da predominância da electrónica do album de estreia "Unomia" ou da solidão dos temas em piano que apresenta como Goldmund ("Corduroy Road", também na Type, 2005), aqui juntou dedilhares de guitarra, bateria, e outros instrumentos, todos eles executados como se o mundo fosse terminar no dia seguinte. A gestão dos silêncios, todas as emoções que consegue libertar, apontam em várias direcções: desde a desolação nocturna do album de estreia dos A Silver Mt. Zion : "He has left us alone but shafts of light sometimes grace the corners of our rooms", até aos ambientes mais épicos dos Sigur Rós, passando pela delicadeza e suavidade de Colleen, ou pelos ambientes bucólicos dos loops mágicos de Manyfingers.
A cereja no topo do bolo são quatro versos de Fernando Pessoa que Helios decidiu colocar no inlay do cd: "I'm not who I have in memory / Nor who is in me now. / If I think, I self-dismember. / If I believe, there is no end."
É uma absoluta recomendação, para fans de IDM, de metal, de rock, pop, indie, seja para quem for. Ouçam e apaixonem-se.
É também uma confirmação da excelência da editora Type. Depois de Deaf Center e Sickoackes, a melhor melancolia mora ali.

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