<$BlogRSDURL$>

terça-feira, dezembro 28, 2004

A minha lista d'Os Melhores Do Ano

Aqui fica o meu top 42 deste ano de 2004:

1. Vladislav Delay : "Demo(n) Tracks" (Huume)
2. Traject "Strengir Hrynja" (SpezialMaterial)
3. Bark Psychosis : "///CODENAME:dustsucker" (Fire)
4. Einóma : "Milli Tónverka" (Vertical Form)
5. Bola : "Gnayse" (Skam)
6. Helios : "Unomia" (Merck)
7. Ten And Tracer : "Companion" (U-Cover)
8. Wasteland : "October" (Transparent)
9. Arovane : "Lillies" (City Centre Offices)
10. Tom Waits : "Real Gone" (Anti)
11. Syndrone : "Salmataxia" (Merck)
12. Claro Intelecto : "Neurofibro" (AI Records)
13. Proem : "Live MD[cd?]" (n5MD)
14. Quench : "Dyn" (U-Cover)
15. Colleen : "Everyone alive wants anwers" (Leaf)
16. Horchata : "Basidia" (Ad Noiseam)
17. El-P : "High Water" (Thirsty Ear)
18. Manyfingers : "Manyfingers" (Moteer)
19. Pelican : "Australasia" (Hydra Head)
20. Proem : "Socially Inept" (Merck)
21. FZV : "Precedent" (AI Records)
22. Sixtoo : "Chewing On Glass..." (Ninja Tune)
23. Múm : "Summer make good" (Fat Cat)
24. Fennesz : "Venice" (Touch)
25. Bigg Jus : "Black Mamba Serums V2.0" (Big Dada)
26. Bitcrush : "Enarc" (Component)
27. Tortoise : "It's all around you" (Thrill Jockey)
28. Blues Explosion : "Damage" (Mute)
29. Biosphere : "Autour de la lune" (Touch)
30. Wibutee : "Playmachine" (Jazzland)
31. Hipnotica : "Reconciliation" (Metrodiscos)
32. 3tronik : "Mirror" (Sutemos Net Label)
33. Skinny Puppy : "The Greater Wrong Of The Right" (SPV)
34. Triosk : "Moment Returns" (Leaf)
35. Murcof : "Utopia" (Leaf)
36. Lusine : "Serial Hodgepodge" (Ghostly)
37. Kattoo : "Places" (Hymen)
38. Autechre & Hafler Trio : "ae30 & h3ae" (Phonometrography)
39. Thin Films : "Eskimo" (Thin Films)
40. Kettel : "Volleyed Iron" (U-Cover)
41. RJD2 : "Since We Last Spoke" (Def Jux)
42. Lapsed : "Twilight" (Ad Noiseam)

Em jeito de balanço final, acho que este foi um ano muito bom. Todos os discos neste top têm muita qualidade, e não há diferenças abissais entre o primeiro e o último. E claro, a ordenação é bastante subjectiva, principalmente abaixo dos 10 primeiros.
Ainda me falta ouvir o(s) disco(s) dos Pan Sonic. Talvez tenha de re-arranjar a lista depois de o(s) ouvir com atenção... E tantos outros que me foram aparecendo em mp3 mas que, por uma ou outra razão que quase sempre se prendeu com a falta de tempo, foram ficando para mais tarde.


(0) comments

terça-feira, dezembro 21, 2004

O Horror... mais uma lista... de concertos do ano, mais ou menos por ordem de preferência:

1- Tom Zé em Sines
2- Pan Sonic no Lux
3- Múm na Aula Magna
4- Lhasa no Forum Lisboa
5- Kevin Blechdom na Zé dos Bois (ZdB)
6- Otomo Yoshihide New Jazz Quintet com Mats Gustafsson na Gulbenkian
7- Spring Heel Jack em Coimbra
8- Yann Tiersen na Figueira da Foz
9- Kimmo Pohjonen no Forum Lisboa
10- Dead Combo na ZdB
11- Savina Yannatou em Sines
12- Kronos Quartet na Culturgest
13- DAT Politics na ZdB
14- To Rococo Rot na Estação de Metro do Chiado
15- No Neck Blues Band na ZdB
16- Cecil Taylor no CCB
17- Hipnotica no Lux
18- Alias na ZdB
19- Panda Bear na ZdB
20- Mogwai no Paradise Garage

Foram estes os meus preferidos.

(0) comments

segunda-feira, dezembro 20, 2004

MELHORES ÁLBUNS DE 2004: a minha lista

Esta é uma lista não ordenada, absolutamente pessoal, dos discos que mais me marcaram produzidos em 2004. Não contam reedições, EPs e outros, que irão merecer referência em separado. Irei colocar uma lista ordenda no Fórum Sons brevemente, um Top 30, para poder participar na votação dos melhores discos do ano daquele fórum, mas a lista mais genuina é esta.

agf - Language is the most - quecksilber
Animal Collective - Sung Tongs - Fat Cat
Arovane - Lilies - City Centre Offices
Autistic Daughters - Jealously and Diamond - Kranky
Biosphere - Autour de la Lune - Touch
Bola - Gnayse - Skam
Clouddead - Ten - Ninja Tune
Dead Combo - Vol. 1 - Transformadores
DJ Signify - Sleep no More - Lex
Einstürzende Neubauten - Perpetuum Mobile - Mute
Fennesz - Venice - Touch
Ghost - Hypnotic Underworld - Drag City
Helios - Unomia - Merck
Hipnotica - Reconciliation - Metrodiscos
Blues Explosion - Damage - Mute
Liars - They were wrong so we drowned - Mute
Many Fingers - Manyfingers - Moteer
Mira Calix - 3 Commissions - Warp
múm - Summer Make Good - Fat Cat
Murcof - Utopia - Leaf
Neotropic - White Rabbits - Mush
Niobe - Voodooluba - Sonig
Pan Sonic - Kesto - Blast First
Pan-American - Quiet City - Kranky
Panda Bear - Young Prayer - Paw Tracks
Philip Jeck - 7 - Touch
Radian - Juxtaposition - Thrill Jockey
Six Organs of Admittance - For Octavio Paz - Holy Mountain
Sixtoo - Chewing on Glass & Other miracle cures - Ninja Tune
Sonic Youth - Sonic Nurse - Geffen
Squarepusher - Ultravisitor - Warp
Stereolab - Margerine Eclipse - Duophonic
Ten and Tracer - Companion - U-cover
Tom Waits - Real Gone - Anti
Tortoise - It's all around you - Thrill Jockey
Traject - Strengir Hrynja - Spezial Material
Trapist - Ballroom - Thrill Jockey
Vladislav Delay - Demo(n) Tracks - huume recordings
Wasteland - October - Transparent
Wolf Eyes - Burned Mind - Sub Pop
Zeena Parkins & Ikue Mori - Phantom Orchard - Mego

Em jeito de balanço, foi um bom ano musical, entre o classicismo de veteranos como os Sonic Youth, a rudeza de bandas como Wolf Eyes e Pan Sonic e a melodia dos Helios e Many Fingers (por exemplo). A escolher um álbum do ano, será o de Pan Sonic. São 41 álbuns que ficam na memória.

(0) comments

sexta-feira, dezembro 17, 2004

Listas de 2004: a vez da boomkat:

álbuns

JUNIOR BOYSLast Exit Kin CD
DEATHPRODDeathprod Rune Grammofon 4CD BOX
ARVE HENRIKSENChiaroscuro Rune Grammofon CD
NOUVELLE VAGUENouvelle Vague Peacefrog CD
SWODGehen City Centre Offices CD
GONZALESSolo Piano No Format CD
MAX RICHTERThe Blue Notebooks Fat Cat CD
PORN SWORD TOBACCOPorn Sword Tobaco City Centre Offices CD
PAN AMERICANQuiet City Kranky CD + DVD
SUSANNA AND THE MAGICAL ORCHESTRAList Of Lights and Buoys Rune Grammofon CD
HAROLD BUDDAvalon Sutra Samadhisound 2CD
CLARO INTELECTONeurofibro Ai 2LP
VLADISLAV DELAYDemo(n) Tracks Huume CD
JAH BATTAArgument Wackies CD
DEAD TEXANThe Dead Texan Kranky CD + DVD
AROVANELilies City Centre Offices CD
MANYFINGERSManyfingers Moteer CD
FENNESZVenice Touch CD
SHADOW HUNTAZCorrupt Data Skam CD
BARK PSYCHOSISCodename : Dustsucker Fire Records CD
DIPLOFlorida Big Dada CD
AKIRA RABELAISSpellewauerynsherde Samadhisound CD
MIKE FELLOWSLimited Storyline Guest Vertical Form CD
LALI PUNAFaking The Books Morr Music CD
JOANNA NEWSOMMilk Eyed Mender Drag City CD
XELATangled Wool City Centre Offices CD
SKYPHONEFabula Rune Grammofon CD
LAURA VEIRSCarbon Glacier Bella Union CD
THE BOATSSongs By The Sea Moteer CD
DONATO WHARTONTrabanten City Centre Offices CD
CLEAR HORIZONClear Horizon Kranky CD
MF DOOMMM Food Rhymesayers CD
KHONNORHandwriting Type CD
COBRA KILLER76 / 77 Monika CD
LOSCILFirst Narrows Kranky CD
LUCIEN & LUCIANOBlind Behaviour Peacefrog CD
LOWA Lifetime Of Temporary Relief – 10 Years of B-Sides and Rarities Rough Trade 3CD + DVD
AUTISTIC DAUGHTERSJealously and Diamond Kranky CD
THOMAS FEHLMANNLowflow Plug Research CD
JOHANN JOHANNSSONViroulegu Forsetar Touch CD + DVD
STATE RIVER WIDENINGCottonhead Vertical Form CD
ISANMeet Next Life Morr Music CD
HAUSCHKASubstantial Karaoke Kalk CD
CLIMBERDowntown Loop Botanica del Jibaro CD
AM/PMThe Ends I & II Dreck CD
THE BEANSBassplayer Intr-Version CD
MOUNTAINEERSleep and me Sommerweg CD
CHRONOMADSokut Alien Transistor CD
ROBAG WRUHMEWuzzelbud "kk" Musik Krause CD
KENNY LARKINThe Narcissist Peacefrog CD

Novamente Deathprod e a Rune Grammofon no topo, ou seja, os noruegueses estão em alta nas terras britânicas. Destaque para a inclusão do álbum de Vladislav Delay (que foi mal recebido por alguma crítica) e para a merecida inclusão do álbum dos Autistic Daughters.


(0) comments

quinta-feira, dezembro 16, 2004

TEXTO PUBLICADO NA MONDO BIZARRE #20

Radian
Contrastes Electrónicos




Os Radian são um trio austríaco constituído por Martin Brandlmayr (que também faz parte do trio Trapist cujo álbum “Ballroom” foi editado recentemente na Thrill Jockey) na bateria, Stefan Nemeth (dono da editora Mosz, onde se podem encontrar gravações de projectos paralelos dos Radian e Trapist) no sintetizador e guitarra e John Norman no baixo. Ao contrário dos Trapist, os Radian são francamente mais electrónicos, onde os temas são normalmente compostos a partir de sons gravados de instrumentos “convencionais”., apesar de poderem ser posteriormente tocados ao vivo usando bateria, baixo e sintetizador. É um verdadeiro trabalho “laboratorial”, onde músicos de bata branca trabalham a matéria-prima de forma a obter o resultado desejado. O lado quente da espontaneidade da improvisação desaparece, mas ganha-se a frieza do laboratório, como se os Radian fossem uma espécie de contraponto dos Trapist.
Esta forma de tocar levou a que o álbum “Rec. Extern” encontrasse um sucesso talvez inesperado, levando os Radian a várias partes do mundo, inclusive Portugal, onde deram um memorável concerto integrado num festival itinerante da Thrill Jockey, que há dois anos passou por Lisboa. As comparações com os This Heat são imediatas, em grande parte devido ao pulsar constante dos ruídos electrónicos que se entranham em linhas melódicas quase minimais. A importância do beat, contudo, mostra também uma forte influência do krautrock da vizinha Alemanha, particularmente da componente rítmica de bandas como os Can. É destas influências em rota de colisão com a electrónica digital mais contemporânea que brotam as músicas que ouvimos nos trabalhos dos Radian.
“Juxtaposition” o novo álbum dos Radian, volta a contar com a colaboração de John McEntire (líder dos Tortoise). Conceptualmente estamos na presença de um álbum muito parecido com o “Rec. Extern”, como se houvesse uma revisitação do álbum anterior. A diferença surge numa maior depuração dos sons, intensificando o contraste entre diferentes ruídos/melodias, puxando o ouvinte para uma experiência intimista provocada pelo diálogo entre os contrastes gerados. O resultado é um álbum ainda mais cerebral, mas que aponta pistas diferentes das usuais na área da electrónica e do rock mais experimental. A sensação de se ouvir algo verdadeiramente novo acaba por ser muito gratificante, mesmo que isso traga consigo uma certa estranheza inerente a tudo o que é desconhecido. Fica-se no entanto à espera do dia em que as emoções comecem a entranhar-se nestes edifícios sonoros, e então teremos chegado ao climax destas explorações musicais vindas da Áustria, que cada vez mais se assume como um dos epicentros essenciais das colisões entre a electrónica, o rock e a música improvisada.

(0) comments

quarta-feira, dezembro 15, 2004

O ATAQUE DAS LISTAS ASSASSINAS: 2004

The Milk Factory

2004 chega ao fim, e começam a chegar as famosas listas de final de ano. Em blogs como juramentosembandeira começaram a aparecer as listas de publicações como o NME ou a Uncut. Reconhecendo que estas listas pouco têm a ver com os gostos dos Quark! Quark!, avançamos então com listas alternativas como a da Milk Factory.
Aqui vai ela.


1. DEATHPROD DeathprodRCD2036 - Rune Grammofon
2. MAX RICHTER The Blue NotebooksCD1304 - 130701/Fat-Cat Records
3. COCOROSIE La Maison De Mon RêveTG254 - Touch & Go
4. SUSANA & THE MAGICAL ORCHESTRA List Of Lights & BuoysRCD2034 - Rune Grammofon
5. PAN SONIC Kesto (234:48:4)BFFP180BOX - Blast First / Mute
6. LARS HORNTVETH PookaSTS079 - Smalltown Supersound
7. ARVE HENRIKSEN ChiaroscuroRCD2037 - Rune Grammofon
8. SECRET FREQUENCY CREW Forest Of The Echo DownSCH045 - Schematic
9. 808 STATE PrebuildCAT807CD - Rephlex
10. DANGER MOUSE The Grey AlbumNo catalogue number / label
11. FENNESZ Venice (Touch)
12. AUTECHRE & THE HAFLER TRIO æ3o&h3æ (Phonometrography)
13. GREG DAVIS Curling Pond Woods (Carpark Records)
14. YUICHIRO FUJIMOTO Komorebi (Smalltown Supersound)
15. BIOSPHERE Autour De La Lune (Touch)
16. cLOUDDEAD Ten (Big Dada)
17. BJÖRK Medúla (One Little Indian)
18. MÚM Summer Make Good (Fat-Cat Records)
19. WIBUTEE Playmachine (Jazzland)
20. ANIMAL COLLECTIVE Sung Tongs (Fat-Cat Records)


BEST SINGLES
1. ANIMAL COLLECTIVE Who Could Win A Rabbit
2. COCOROSIE By Your Side
3. cLOUDDEAD Dead Dogs Two
4. SIGUR RÓS Ba Ba Ti Ki Di Do
5. LARS HORNTVETH The Joker
6. KIM HIORTHØY The Hopeness
7. BLUE STATES Across The Wire
8. NEW ORDER Blue Monday/Confusion Acid House Mix By 808 State (1988)
9. MILANESE 1 Up
10. MÚM Dusk Log

Comentário: é uma boa lista, embora os 4 primeiros álbuns não me tenham dito nada. Surpreendente a inclusão do álbum dos Autechre com Hafler Trio.
Vamos esperar por mais listas (Brainwashed, Boomkat e principalmente a da revista The Wire).
Entretanto chamo a atenção que a lista da Mondo Bizarre já se encontra no nº 21, lista na qual eu participei na votação.


(0) comments

terça-feira, dezembro 14, 2004

Mondo Bizarre #21 (Dezembro de 2004)



Saiu a edição de Dezembro da Mondo Bizarre! Neste número poderão ser lidos artigos sobre:

Melhores do Ano 2004 - Jello Biafra & The Melvins - Kaada/Patton - Entrance - RTX - Jens Lekman - The Detroit Cobras - Puget Sound - Death From Above 1979 - Lydia Lunch - The Black Keys - The Knockout Pills - The Legendary Tiger Man - Kid & Khan - Superfuzz - Ann Shenton/Ana Da Silva - John Peel - Brian Wilson - Rufus Wainwright - Wasteland - Elliott Smith -Telephone Jim Jesus - Destroyer - Isis - Fu Manchu - The Makers.

Mais uma vez contribui para a Mondo Bizarre com artigos sobre Ann Shenton/Ana Da Silva, Telephon Jim Jesus e Wasteland, críticas dos novos trabalhos de Stealing Orchestra, Autistic Daughters, Neotropic, Laibach, Boyd Rice, Ten and Tracer e Mira Calix, e ainda um texto sobre a reedição do primeiro álbum dos Antony and the Johnsons e sobre um dos discos na lista dos Melhores de 2004. Apanhem-na. ;)

(0) comments

quarta-feira, dezembro 08, 2004

Bitcrush : "Enarc" (2004, Component Records)



"Enarc" é o primeiro album de Mike Cadoo sob o pseudónimo Bitcrush. Cadoo é um dos elementos do duo Gridlock, é patrão da editora N5MD (casa de Proem e Quench, só para citar dois nomes) e ainda está por trás do projecto Dryft. Pode, aliás, ser traçada uma linha que começa no mais recente lançamento como Dryft - o EP "The Mytotyc Exyt" de 2002, que passa pelo último album dos Gridlock ("Formless" de 2003) e termina neste novo "Enarc".
Há aqui elementos comuns à música dos Gridlock, as texturas emocionais de sintetizadores que ficam predominantemente sob ritmos ora esmagados ora destendidos, ambientes fumarentos e futuristas. Mas há mais. Neste album temos baixo tocado ao vivo, que em alguns temas nos remete para Joy Division ou A Certain Ratio, e algumas explorações com guitarras que lembram o shoegazing dos Seefeel ou My Bloody Valentine. Também anda por aqui muita da electrónica mais suave, desde Arovane, Múm ou Proem, algumas pitadas de indietrónica e momentos de drum'n'bass mais duro e breakbeat, que remetem para o primeiro album como Dryft, "Cell" de 2000. Como surpresa, tem uma faixa escondida ("Saturday's Ghost") praticamente sem electrónica, um tema rock muito shoegazing, que resulta excelente.
É um album muito bom, com melodias que apaixonam, ao mesmo tempo que nunca se deixa cair na lamechice. O tema "Eye Koto" é um bom exemplo disto, sendo que chega mesmo a aproximar-se das últimas explorações hip-hop de Dj Krush. Há sempre uma nota de melancolia, mas ao mesmo tempo um sentimento pop que agarra o ouvinte e faz parecer tudo familiar. Curioso, sem dúvida.
Mike Cadoo refere-se a este disco como uma espécie de resumo de tudo o que fez até 2004, uma foto do seu percurso e do sítio onde está hoje. Penso que consegue chegar mais longe que isso, e deixa água na boca para o próximo album, que segundo o seu site está para breve, já tem nome ("Shimmer and Fade") e até capa.
Finalmente, há um mp3 do tema "Eye Koto" para ouvir aqui.

(0) comments
FZV : "Precedent" (2004, AI Records)



O selo AI Records continua a surpreender, agora com este album de estreia de FZV (Richard Herbert) que compila temas que foram aparecendo nas mais variadas compilações ao longo dos últimos 4 anos.
Segundo a editora, FZV é um violinista com treino clássico que decidiu seguir caminhos mais "electrónicos". No início dos anos 90 explorou efeitos de guitarra e tape loops gravando alguns temas influenciados pelos Coil, SPK e :Zoviet*France:. Agora usa um Atari STE e alguns equipamentos analógicos para produzir electrónica que ainda retém influências das origens industriais.
Este "Precedent" evoca descaradamente os primórdios da editora Warp, bebendo dos albuns "Frequencies" dos LFO, "Incunabula" e "Tri Repetae" dos Autechre, e do "Classics" de Aphex Twin. No tema "AMLGM2" nota-se mesmo um sample retirado do clássico tema "Basscadet" (aparece em "Incunabula") dos Autechre, enquanto as batidas industriais que parecem obtidas com ferros a baterem em placas de chapa têm a impressão digital de temas como "Dodeccaheedron" (do já citado "Classics" - 1992) de Aphex Twin. Em "She Said2" há um sample de "Second Bad Vilbel" (EP "Anvil Vapre" - 1995, Autechre)
Esta é uma colecção de ritmos abrasivos, industriais, urbanos e violentos, melodias breves e evocação de um futuro predominantemente sintético e maquinal, com pouca humanidade.
Apesar de todas as referências, Precedent consegue adaptar o seu som ao século XXI. Consegue cunhar uma identidade própria que vai além da mera citação, do mero "onde é que já ouvi isto antes?". Penso que ele tentou, acima de tudo, deixar uma homenagem ao fervilhante periodo do início dos anos 90 na electrónica Inglesa.
As referências ao "Classics" são imensas, ao ponto do primeiro tema de "Precedent" se chamar "Metaphrastic", tendo Aphex Twin um tema naquele album chamado "Metapharstic"... As semelhanças não se ficam por aqui, já que ambos me causaram o mesmo prazer na audição :)
Há 10 anos atrás, Bidisha do jornal Melody Maker escrevia acerca do album "Classics" de Aphex Twin: "This is a record to have painful, kinky, illegal sex to on a deserted building site littered with broken glass...". Este "Precedent" continua nessa senda, embora não vá tão longe. Vamos esperar pelo primeiro album pensado como tal, que não seja uma compilação de temas disconexos.
Destaque ainda para o facto deste cd ser completamente negro, a parte de leitura e tudo, e parecer mesmo um vinil devido aos "picos" que se vão ouvindo de cada vez que se coloca o cd a tocar, ainda por cima esses "picos" aparecem em sítios diferentes. Nunca tinha visto um cd assim...
Entretanto fica o apontador para o site de FZV, para a secção de mp3, onde se podem descarregar vários temas gravados ao vivo. Ouçam o num. 4 - "fzv - fz-revisited[+3dB].mp3" e fiquem a salivar por um concerto como eu fiquei.

(0) comments
Bark Psychosis : "///Codename : Dustsucker" (2004, Fire Records)



Graham Sutton voltou em 2004, depois do seminal album "Hex" de 1994, da aventura drum 'n' bass sob o pseudónimo Boymerang (da qual apenas resultou um excelente album, "Balance Of The Force", que na altura (1995) mereceu elogios da crítica e dos grandes nomes da cena d'n'b, casos de Goldie ou Photek) e de algumas colaborações com o projecto O.Rang (composto por músicos dos Talk Talk).
Passados 10 anos de inactividade desde projecto, reuniu um outro grupo de músicos (são 15 ao todo) e lançou este "//Codename : Dustsucker", um album que fala principalmente de sentimentos de solidão e melancolia.
O autor descreveu-o à revista Wire como "21st Century white urban music" e tendo sido influenciado pelo filme "Mullholand Drive" de David Lynch.
Alguns temas lembram o psicadelismo dos Bardo Pond, mas numa faceta mais jazzy e menos "sónica". Aparecem alguns apontamentos de electrónica ("Miss Abuse"), notas de piano perdidas, vozes femininas que se parecem perder num fim de tarde luminoso, sussurros de jazz nocturno, sopros de trompetes embriagadas pelos perfumes de uma noite de boémia, riffs de guitarra e sons concretos carregados de violência urbana.
"Burning The City" conta a história de um amor doentio que acabou, da solidão que ficou, da decepção. "Shapeshifting" é o ponto alto do album. Descargas eléctricas, feedback, noise, jazz contaminado por pequenas melodias perdidas, tudo muito bem embrulhado numa pop com uma doce voz feminina, com uma gestão primorosa dos silêncios.
Notam-se pontos de contacto com Talk Talk (o baterista Lee Harris participa neste album, ele que agora também acompanha Beth Gibbons) ou Mark Eitzel, mas os Bark Psychosis vão mais longe. Atrevem-se a experimentar, a tentar inovar, acabando a trilhar os caminhos do chamado pós-rock, evocando a espaços Tortoise ou Mogwai.
Este album é, acima de tudo, uma peça coerente e muito bem produzida. Claustrofóbico, denso, envolve o ouvinte do início ao fim. Ao cabo de algumas audições consegue-se apanhar um fio condutor de melancolia, abandono, noite, solidão, esperança.
É para mim o melhor album de canções do ano.

(0) comments


referer referrer referers referrers http_referer

This page is powered by Blogger. Isn't yours?