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sexta-feira, julho 23, 2004



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segunda-feira, julho 19, 2004

Phoebus "Peri Sable EP" (Test Tube 001, 2004)
 

 
A Test Tube é uma Net Label ligada à editora monocromatica que se distinguiu na edições álbuns como a compilação Volun ou o excelente álbum Elastic Void.  Na Test Tube a ideia é lançar sons experimentais, onde ideias originais ou texturas sonoras novas tenham um espaço para ir ao encontro do público, de uma forma gratuíta através do download dos mp3 e das capas dos discos criadas pelos designers da editora.  O primeiro lançamento desta editora é justamente o EP do Phoebus, um novo projecto de música electrónica portuguesa.
"Peri Sable" contém 2 temas (cerca de 20 minutos), com uma música criada a partir de sons de guitarra trabalhados em forma de textura, que se entrelaçam de uma forma verdadeiramente hipnótica.  O primeiro tema "Soap Opera" não parece uma telenovela, mas uma opera de sabão, em que bolhas de sabão e espuma voam pelo quarto, sem as conseguirmos agarrar.  "Disbelief" também lembra sons aquáticos, em cascata.  É uma música sentimental e minimalista com um lado sonhador, que encontra alguns paralelos na electrónica do Fennesz e no shoegazing dos My Bloody Valentine.  Aqui, contudo, há arestas que nos levam para paragens diferentes.  A capa lembra-nos o deserto, e lembra-me também a capa do "Gobi, The Desert" do Monolake. Mas estes sons afastam-se muito do tecno do Robert Henke: estas texturas sonoras estão ao nível do melhor que se faz em editoras como a Mego ou a Leaf.  É uma estreia auspiciosa para a Test Tube e para o Phoebus, portanto :-)
 
Podem sacar as canções aqui:
 
http://www.monocromatica.com/netlabel/releases/tube001.htm
 
Bons downloads! :-) 

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Zeena Parkins & Ikue Mori "Phantom Orchard" (Mego 071, 2004)
 
 
 

A Zeena Parkins e a Ikue Mori regressam juntas para mais uma edição da imparável Mego.  A Zeena Parkins é a harpista conhecida do grande público pela sua colaboração com a Björk no "Vespertine".  A Ikue Mori é uma percussionista com uma longa história (fez parte do grupo nova-iorquino de no wave DNA ao lado do Arto Lindsay), e que aqui é a manipuladora electrónica de serviço.  O resultado da colaboração destas duas artistas reflecte na perfeição a estética que a Mego tem vindo a implantar ao longo dos anos, e que tem conhecido uma forte expansão para além da Austria com as edições dos discos de Jim O'Rourke e de Rob Mazurek, por exemplo.  Assim até conseguem, de certa forma, disfarçar a saída do Fennesz, que durante muito tempo foi a imagem de marca da editora.
Neste disco temos um dialogo constante entre o rendilhado da harpa da Zeena Parkins e o lado desconstrutivo da electrónica da Ikue Mori, como se os sons fossem constantemente retalhados e devolvidos num novo contexto.  Talvez a sensibilidade feminina entre aqui em jogo... isso evita minimalismos desnecessarios e aborrecidos, que muitas vezes sabotam o prazer que se poderia tirar deste tipo de música.  Assim a melodia da bela harpa da Zeena entra em temas como o belo "Jezebel", enquanto que o caos orquestrado da Ikue Mori serve de contraponto perfeito em temas como o "Miura".  Pela forma como as coisas são feitas aqui, é impossivel não lembrar o disco da Colleen "Everyone alive wants answers", onde ela também usa instrumentos acústicos como ponto de partida para a construção de melodias electrónicas envolventes, ou até mesmo o "Endless Summer" do Fennesz.  Aqui, contudo, nunca deixa de haver uma estranheza inexistente noutros discos, talvez devido à longa carreira destas artistas na área da música improvisada.  Este é um disco que muitas vezes parece um sonho, algures entre a ameaça do filme "Shining" e a delicadeza da melodia.
 

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quinta-feira, julho 15, 2004

Traject - Strengir Hrynja (2004 Spezial Material)



Apresento um dos grandes discos deste ano.
A IDM poucas vezes foi tão fria, tão desorientante, tão assustadora. E, à medida que os temas vão passando (um total de 40 minutos mais um remix dos conterrâneos Einóma), perguntamos-nos como conseguir acompanhar tantos detalhes, ficando indecisos entre deixarmos-nos simplesmente levar pela enxurrada, ou pegar no bisturi e desconstruir cada estimulante detalhe.
Os Traject são um projecto do Islandês Gisli Thor Gudmundsson. Este é o album de estreia, e será um dos melhores "primeiros albuns" da curta história da IDM.
O sentimento que melhor resume o que contêm estes 5 temas é o de estar à deriva em alto mar, num pequeno barco. Por entre agitação e acalmia, ora a tentar resistir a cantos de sereias maléficas, ora a observar auroras boreais em êxtase.
Talvez o som que mais se aproxime deste trabalho seja o do album "EP7" dos Autechre. Mas aqui as idéias desse trabalho são revistas e aumentadas. Aqui há mais raiva, mais vida. Mais negritude.
Os Einóma, autores do remix que é o último tema deste album, são também Islandeses, o estilo deles é bastante parecido com Traject, e o último album deles também já foi revisto aqui no tasco. Procurem os arquivos.

Para adquirir este album, tentem a loja Portuense Matéria Prima (eles enviam por correio, enviem-lhes um email) ou a Belga U-Cover.

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Arovane : "Lillies" (2004 City Centre Offices)



Tudo começou em 2000 (depois de alguns 12'' em 1998 e 1999) com o album "Atol Scrap". Tratado electrónico de melancolia e sonho sobre as grandes cidades, uma música que seguia os ritmos intrincados e maquinais da IDM dos anos 90, mas os impregnava com melodias liquidas, etéreas, tristes. Solidão, tecnologia, silêncio. A criação de um ser mecânico com um coração a bater, um humano acima de tudo.
Ainda em 2000 lançou o album "Tides", com a colaboração de Christian Kleine, que tocou guitarra em alguns temas. "Tides" é uma noite de Verão na praia, em cima da areia, bem perto do mar. Céu estrelado, silêncio, e o ritmo lento das ondas. O prateado da lua a realçar o movimento da água. Um album suave, meditativo, muito, muito bonito. Vale como um todo, um bloco de perfumes e brisas de Verão.
O novo "Lillies", deste ano da graça de 2004, fica algures entre os dois anteriores albuns de originais. Não é tão complexo e maquinal como "Atol Scrap", nem é tão "aproximado à natureza" como "Tides". "Lillies" Tem pedaços de cada um deles, trabalha esses pedaços e dá como resultado 36 minutos de puro prazer.
O tema "Windy Wish Trees" é o melhor exemplo dessa simbiose entre a emoção pura e a electrónica mais maquinal. É um tema lindíssimo, emotivo e arrebatador, mas ao mesmo tempo calmo e a fazer lembrar o que sentimos quando observamos aquelas paisagens que nos tiram o fôlego.
Para mim, a melhor descrição para este álbum é que ele é uma pérola. Uma pérola de perfumes, de sabores, de sentimentos, de sorrisos. Dificil de explicar. Mas muitíssimo agradável.

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Current 93 em Lisboa - convidados

Já são conhecidos os convidados dos Current 93 para os concertos de Lisboa, a 10 e 11 de Setembro próximo. São eles:

Six Organs Of Admittance



Simon Finn



Baby Dee

Segundo o organizador José Pacheco, ainda poderão aparecer mais surpresas, conforme a disponibilidade.



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segunda-feira, julho 12, 2004

Felix Kubin "Matki Wandalki" (A-Musik, 2004)



É dificil imaginar um músico mais bizarro que o Felix Kubin nos dias de hoje. Com vários álbuns e uma quantidade já bastante significativa de 7", 12" e singles pelo meio, o Felix Kubin é uma espécie de linha da frente da música electrónica experimental festiva/brincalhona. Juntamente com nomes como Aavikko, DAT Politics, Kevin Blechdom, Oleg Kostrow ou Nova Huta, a electrónica por aqui nunca é chata. Se algum pecado poderá haver nestas bandas é uma espécie de "overload" de ideias. Não é o que se passa com o Kubin, que apesar de toda a estranheza consegue sempre fazer discos bastante sólidos como o "Filmmusik" ou o "Tesla's Aquarium" (em parceria com a Pia Burnette). Neste novo álbum não se pode dizer que hajam grandes mudanças de rumo, é mais um apuramento de um estilo criado por ele próprio, um submundo de filmes série B ou mesmo Z, algures entre os desenhos animados e os filmes de gangsters. Sempre com um sorriso rasgado, a mastigar a música chunga como na espantosa versão do oleoso "Hello" do irritante Lionel Ritchie. Sempre brincalhão, é quase impossivel ficar parado a ouvir este álbum, é uma autêntica injecção de globulos vermelhos saltitantes. O homem está em forma. Ele que volte a Portugal, portanto!

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quinta-feira, julho 08, 2004

De acordo com o Vítor Junqueira a canção portuguesa cantada pela Lhasa era a "Com que voz" com letra do Ary dos Santos e música do Alain Oulman, e foi cantada originalmente pela a Amália Rodrigues. Eis a letra!

Meu amor meu amor
meu corpo em movimento
minha voz à procura
do seu próprio lamento.

Meu limão de amargura meu punhal a escrever
nós parámos o tempo não sabemos morrer
e nascemos nascemos
do nosso entristecer.

Meu amor meu amor
meu nó e sofrimento
minha mó de ternura
minha nau de tormento

este mar não tem cura este céu não tem ar
nós parámos o vento não sabemos nadar
e morremos morremos
devagar devagar

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LHASA no Fórum Lisboa (7 de Julho de 2004)

Falar do concerto da Lhasa sem falar do público é como falar de um ovo sem falar da clara. Porquê? Porque foi impressionante o desespero pré-concerto das pessoas que não tinham bilhete, à espera de conseguirem um lugar no Fórum Lisboa para assistirem ao concerto da Lhasa. Cheguei a receber um telefonema de amigos a dizerem que estavam a começar a ter instintos homicidas, de tal forma desejavam o bilhete. Não conseguiram.

Porquê este culto por uma cantora quase desconhecida, que editou 2 álbuns em 7 anos? Penso que se deve principalmente a um longo periodo em que amigos diziam a amigos que o álbum "La Llorona" era uma maravilha. De facto é. Pega na tradição musical mexicana e moderniza-a, e com isso a Lhasa conseguiu fazer um dos melhores álbuns da década de 90 devido a uma voz invulgar e letras brilhantes. "The Living Road" do ano passado seguiu já um caminho diferente, aparecendo canções em inglês e francês, e foi recebido de forma mista pelos fãs da "La Llorona". Normalmente com uma primeira reacção fria, para depois o álbum se entranhar definitivamente quase como o primeiro. É diferente, mas é também excelente.

No Fórum Lisboa o álbum mais focado foi justamente o "The Living Road", arracando o concerto com a soberba "Con toda palabra". Seria um grande arranque, mas era notório algum nervosismo e timidez da Lhasa perante uma sala completamente cheia e rendida à partida aos seus encantos (é realmente chato o público português, ainda o concerto não começou e já estão rendidos). O concerto continuou pelas canções deste álbum, e progressivamente notava-se que a Lhasa ia crescendo em autoconfiança. A dada altura a Lhasa dirigiu-se ao público em português! E assim foi várias vezes. "J'arrive à la ville" marcou uma mudança no concerto, com o público algo apático, mas com a Lhasa a arrancar um boa interpretação de uma das melhores canções do novo álbum. Pelo meio houve uma canção tchetchena e uma canção portuguesa, um fado! Infelizmente não conheci a canção... O ponto alto surgiu, contudo, com as canções do incontornavel "La Llorona". "De la cara a pared", "El Desierto" e uma espantosa interpretação de "Los Peces" foram grandes momentos, que provocaram a apoteose junto do público. A muito tom waitsiana "Small Song" também contribuiu para a criação de uma atmosfera festiva que levou a dois encores aplaudidos de pé por todas as pessoas do público no Fórum Lisboa (a sério, estava toda a gente de pé a aplaudir). Terminou com a extratosférica e existencialista "Soon this space will be too small", algures entre a Björk, o Brian Eno e os Cluster, que a Lhasa explicou como tendo partido de uma ideia do pai dela, que é filosofo, acerca do nascimento e da morte. E então o Fórum Lisboa foi demasiado pequeno, e também nós nos fomos embora. O público parecia reticente, e acumulava-se na entrada do Fórum Lisboa, talvez à espera de mais. A passagem da Lhasa foi inesquecivel.



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