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sábado, dezembro 12, 2009

Após um longo interregno... (2 anos!), eis um ressurgir deste blog... para colocar os discos que mais se gostou de ouvir este ano... Aqui vai, com a vontade de voltar à carga brevemente:

Mundo e Arredores:

Álbuns:

1 - Hildur Gudnadóttir - Without Sinking
2 - Ben Frost - By the Throat
3 - Harappian Night Recordings - The Glorious Gongs of Hainuwele
4 - Clark - Totems Flare
5 - The Sight Below - Glider
6 - ISIS - Wavering Radiant
7 - Telefon Tel Aviv - Immolate Yourself
8 - Tiago Sousa - Insónia
9 - Múm - Sing Along To Songs You Don't Know
10 - Sunn O))) - Monoliths & Dimensions
11 - Leyland Kirby - Sadly the future is no longer what it was
12 - Elm - Nemcatacoa
13 - Master Musicians Of Bukakke - Totem One
14 - Gesellschaft zur Emanzipation des Samples - Circulations
15 - KTL - IV
16 - Bat For Lashes - Two Suns
17 - Radian - Chimeric
18 - Brock Van Wey - White Clouds Drift On and On
19 - Cold Cave - Loves Come Close
20 - Omar Souleyman - Dabke 2020; Folk & Pop Sounds of Syria
21 - Broadcast and the Focus Group - Investigate Witch Cults of the Radio Age
22 - Louderbach - Autumn
23 - Alva Noto - Xerrox Vol.2
24 - Antony & The Johnsons - The Crying Light
25 - Anahita - Matricaria
26 - Tortoise - Beacons of Ancestorship
27 - Moritz von Oswald Trio - Vertical Ascent
28 - The Master Musicians of Jajouka - Live at CCB
29 - Shackleton - Three Eps
30 - Mem1 - +1

Formatos "esquisitos"

1 - rafael anton irisarri - hopes and past desires - 7"
2 - philip jeck - spool - k7
3 - volcano the bear - that people don't know they are monsters - 7"
4 - Surtsey -Symphony No. 1 For Strings Antarctica - Netlabel (Test Tube)
5 - herzog - first summer and the running dream - Netlabel (Resting Bell)


Portugal e Arredores:

1 - Tiago Sousa "Insonia"
2 - :papercutz "lylac"
3 - The Legendary Tigerman "Femina"
4 - DOPO "Blue Lands"
5 - Tó Trips "Guitarra 66"



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sexta-feira, janeiro 11, 2008

50 discos de 2007

Aqui vão, por ordem alfabética:

Amon Tobin
- Foley Room
Arve Henriksen
- Strjon
Ateleia
- Formal Sleep
Burial
- Untrue
Charalambides
- Likeness
Colleen
- Les Ondes Silencieuses
Dag Rosenqvist & Rutger Zuydervelt
- vintermusik
deepchord presents echospace
- the coldest season
Einstürzende Neubauten
- Alles Wieder Offen
entia non
- distal
Focus Group, The
- We are all Pan's People
Fripp & Eno
- Beyond Even (1992-2006)
Frode Haltli
- Passing Images
gescom
- A1-D1
Grouper
- Cover the Windows and the Walls
gultskra artikler
- Kasha Iz Topora
Icarus
- Sylt
Islaja
- Ulual Yyy
Jasper TX
- A darkness
Jefre Cantu-Ledesma
- The Garden of Forking Paths
Kemialliset Ystavat
- Kemialliset Ystavat
Ken Ikeda
- Mist on the Window
Klimek
- Dedications
KTL
- 2
Low
- Drums and Guns
M.I.A.
- Kala
Machinefabriek
- Weleer
Marsen Jules
- Golden
Murcof
- Cosmos
mu-ziq
- Duntisbourne Abbots Soulmate Devastation
Nadja
- Thaumogenesis
Omar Souleyman
- Highway to Hassake
Pan Sonic
- Katodivaihe
PJ Harvey
- White Chalk
Senking
- List
Six Organs of Admittance
- Shelter from the ash
Stars of the Lid
- and their refinement of the decline
Strategy
- Future Rock
Supersilent
- 8
the fiery furnaces
- widow city
Throbbing Gristle
- Part two: The Endless Not
To Rococo Rot
- abc123
Tropa Macaca
- Marfim
Tusia Beridze
- The Other
varios
- shut up and dance! Updated
Voice of the Seven Woods
- Voice of the Seven Woods
Volcano the Bear
- Amidst The Noise And Twigs
Von Südenfed
- Tromatic Reflexxions
Wooden Shjips
- Wooden Shjips
Young Gods, The
- super ready/fragmenté

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Cristian Gualpa "Flotante EP" (Test Tube)

«Hailing from Mendoza, Argentina, here is an EP release of warm ambient idm beats, from Cristian Gualpa, called “Flotante”. In five tracks, Gualpa explores an electronic language of aquatic beats, somehow related with the kind of stuff explored by artists like Arovane, and also a language with the laboratorial driving force that one can usually recognize on releases from labels like Raster-Noton. Indeed, while the last track “Capital Solar” develops a warm sense of melody, tracks like “Buenhogar” or “Al Aire” enter the mathematical domain, with a techno background underneath. Listening to these tracks is like admiring the architecture of a building, with one feet dancing at the same time. Dark ambience comes along with “Previo”, but even here the mechanical beat gives way to an ethereal melody. “Posada” sums up the ideas expressed before, and is both a relaxing or restless place to stay, depending of which things the listener pays attention to: the warm aquatic melody underneath or the drilled beat that gives structure to the track, which reminds of early Autechre releases. With about 20 minutes, “Flotante” is enjoyable brainy electronics, to be listened with headphones, and an excellent debut for Cristian Gualpa.»

Link para download: tube107

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sexta-feira, julho 06, 2007

Entrevista a Colleen na Mondo Bizarre




















Realizada em Outubro de 2006, antes da edição do novo álbum, teve agora a edição online no site da Mondo Bizarre. Podem consultar aqui.

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quinta-feira, março 29, 2007

No mundo dos "leaks"

É verdadeiramente impressionante o número de links que aparecem todos os dias para descarregar novos álbuns. Este fenómeno está a começar a tornar-se certamente mais uma dor de cabeça para a industria. Para quem quiser mergulhar nesse maravilhoso mundo da pirataria, aconselho usar esta máquina de pesquisa:

http://www.shareminer.com/

é basicamente o google pronto para pesquisar links para o sendspace, megaupload, etc...

Depois há fóruns por aí onde aparecem estes links. Se usarem o tal site rapidamente chegam lá. Brave new world indeed.

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2007 - Balanço 1º trimestre

Álbuns e EPs misturados.

!!! - Myth Takes - 8
Aaron Martin & Machinefabriek - cello recycling - 7.5
Amon Tobin - Folley Room - 8.5
Ateleia - Formal Sleep - 8
Ben Frost - Theory of Machines - 8.5
CocoRosie - The Adventures of Ghosthorse and Stillborn - 7
Dag Rosenqvist & Rutger Zuydervelt - vintermusik - 8.5
exploding star orchestra - we are all from somewhere else - 8
Low - Drums and Guns - 8.5
Machinefabriek - SLAAPZUCHT - 8
Mokira - The Bum That Will Bring Us Together - 8
MV & EE - Green Blues - 8
Old Jerusalem - The Temple Bell - 7.5
Omar Souleyman - Highway To Hassake - 8
Panda Bear - Person Pitch - 8
Rafael Anton Irisarri - Daydreaming - 7.5
ten and tracer - baker's blood - 8
the young gods - super ready fragmente - 8.5
trans am - sex change - 6.5


Para o próximo trimestre: Colleen, Christian Fennesz & Ryuichi Sakamoto, Flower-Corsano Duo, Björk, Throbbing Gristle, The Focus Group, Proem, Laub, Stars of the Lid, Islaja,...

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sexta-feira, março 09, 2007


Dag Rosenqvist & Rutger Zuyderveit "Vintermusik" (CD-R, 2007)


Rosenqvist é Jasper TX. Zuyderveit é Machinefabriek. Ambos lançaram um álbum na editora Lampse em 2006, e partilham o mesmo estilo musical: electrónica semi-ambiental algo melancólica, que tanto é devedora das sinfonias tristes de um Arvo Pärt, quanto do experimentalismo industrial dos Cluster (na década de 70, claro) e do ambientalismo de um William Basinski. Apresentações feitas? Não, falta dizer que são ambos holandeses e tem uma mania de editar remessas industriais de CD-Rs tanto em formato normal como nos pequeninos 3,5". Este álbum parece ser uma consequência directa dessa atitude, resultando de uma colaboração entre os dois músicos. Como o próprio titulo sugere, estamos perante música invernal, a lembrar a chuva, a névoa, enfim, uma certa obscuridade ou, se preferirem, uma camuflagem do mundo atrás das núvens. Faz sentido, tendo em conta que ambos são holandeses. Mas o que faz mesmo muito sentido são as 6 músicas aqui presentes. Ora arrancando de uma dolência interior causa pelo ruído na faixa "Frost/Vries", ora arrancando restos de melodia de um Arvo Pärt feito anjo caído na Berlim das "Asas do Desejo" na faixa "Blasa Rök/Rook Blasen", "Vintermusik" é uma perfeita banda sonora nocturna. Quase tão natural quanto o barulho do mar, este álbum é um ruído doce e ambiental, um loop perfeito que tanto embala, como inquieta. Não que hajam muitos demónios escondidos aqui (porque eles são visiveis), simplesmente somos confrontados com o que de mais natural pode haver. Afinal no meio de tanto betão e tecnologia, a forma mais fácil de interagirmos com o nosso lado mais primitivo é olhar para o céu, ouvir o barulho da chuva e eventualmente o ruído surdo de um martelo pneumático. Não serão propriamente flores num campo verde, mas esta é uma banda sonora para um inverno.

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quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Shut The Fuck Up

O colectivo STFU vai actuar em Portugal no final de Março, no Porto, Lisboa e Torres Vedras, um evento organizado pela mono¨cromatica e pela enough records. Os concertos terão alinhamentos diferentes, mas o principal destaque vai para a presença de Svarte Greiner (dos The Deaf Center e um dos donos da editora Miasmah). Aqui vai a listagem dos concertos:

STFU Porto
Fábrica de Som
Av. Rodrigues de Freitas, 23-27
4300-456 Porto
(351) 96 764 42 04 / (351) 93 420 25 72
fabricadsom[AT]gmail.com

22 MARÇO (22H00)

Ckz [PT] (live)
NNY [PT] (live)
Aenedra [PT] (live)
Svarte Greiner [NO] (dj set)


23 MARÇO (22H00)

Pygar [PT] (live)
Unknown Forces (of everyday life) [UK] (live)
Svarte Greiner [NO] (live)
Replycant [PT] (dj set)


24 MARÇO (22H00)

e:4c [PT] (live)
Violet [PT] (live)
Decibeats [PT] (live)
M. [PT] (dj set)


STFU Lisboa
Galeria Zé dos Bois (ZDB)
Rua da Barroca, 59, Bairro Alto
1200 Lisboa
(351) 21 343 02 05
http://www.zedosbois.org/zdbmuzique

30 MARÇO (23H00)

Phoebus [PT] (live)
Federico Monti [AR] (live)
Svarte Greiner [NO] (live)


STFU Torres Vedras
Gentro Cultura Contemporânea (CCC)
Rua da Cruz, 9
2564-909 Torres Vedras
(351) 261 338 931/2/3
http://www.ccctv.org

31 MARÇO (23H00)

Rui Gato [PT] (live)
Federico Monti [AR] (live)
Svarte Greiner [NO] (live)


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terça-feira, fevereiro 27, 2007

Novo álbum de Alva Noto

Chama-se "Xerrox vol. 1", e sai na Raster-Noton no dia 3 de Março.

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Noticias da Leaf Label

- A Hawk and a Hacksaw irão actuar dia 19 de Maio em Braga.
- Colleen tem o novo álbum pronto. Chama-se "Les Ondes Silencieuses" e será lançado provavelmente em Maio depois de uma digressão no Reino Unido com os Triosk.

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terça-feira, dezembro 19, 2006

2006 - em 50 discos

2006 foi um ano em que o blog Quark Quark! esteve particularmente inactivo, essencialmente por razões pessoais que impediram uma presença mais assídua. Pela minha parte espero que em 2007 tenha uma presença maior, com comentários a discos, concertos, etc...

Este ano foi particularmente rico. O dubstep saiu do underground e começa a tocar na porta do mainstream. Os discos de Burial, Kode 9, Various, Boxcutter e Skream estão a ajudar a dar uma identidade à presente década, que ameaçava ser dominada quase exclusivamente pelo revivalismo do rock (Strokes, White Stripes) ou então pelo hip-hop e r'n'b mais comercial (Timbaland, pois).
Se a isto juntarmos bandas como !!!, LCD Soundsystem ou TV on the Radio, podemos dizer que a década está "salva" do ponto de vista criativo: já existe um som característico dos anos 00.

Pelo lado mais experimental, foi também um ano particularmente bom. Os Wolf Eyes brindaram-nos com vários álbuns de noise industrial herdeiro dos melhores Throbbing Gristle, e editaram ainda "Human Animal", um disco depurado e magistral, que nos agarra pelas entranhas. A folk está bem representada pelo ambicioso e conceptual "Ys" da Joanna Newsom, o apocaliptico "Black Ships Ate The Sky" de Current 93 ou ainda o "The Sun Awakens" de Six Organs of Admittance. Mas foi pelo lado da "electrónica orquestral" que mais discos interessantes surgiram. Mais uma vez a Colleen (cum uma gravação de concerto ao vivo e um EP especial), mas também a editora Type (Helios, Ryan Teague, Xela...), Hapna (Giuseppe Ielasi), Lampse (Machinefabriek) e a Miasmah (Encre, Greg Haines).
Uma última palavra para o outsider Scott Walker, que criou um disco completamente fora do tempo, talvez maior que a vida.

Da música feita em Portugal, o meu destaque vai para os Dead Combo, que lograram criar um álbum ainda melhor que o primeiro, e para as netlabels portuguesas, especialmente a Test Tube (Kubik, Lezrod), que estão a impôr um dinamismo na divulgação de música portuguesa nunca antes visto.

Aqui vai lista, então, vagamente por ordem de preferência (só vagamente).

Wolf Eyes - Human Animal - Sub Pop
Burial - Burial - Hyperdub
Joanna Newson - Ys - Drag City
Current 93 - Black Ships ate the Sky - Durtro
Dead Combo - Vol. II - Quando a alma não é pequena - Dead & Company
Zavoloka & AGF - Nature never produces the same beat twice - Nexsound
Scott Walker - The Drift - 4AD
Ryoji Ikeda - Dataplex - Raster-Noton
Matmos - The Rose has teeth in the mouth of the beast - Matador
Wasteland - All versus all - Transparent
Kode 9 & Space Ape - Memories of the future - Hyperdub
Dabrye - Two/Three - Ghostly
Xela - The Dead Sea - Type
Giuseppe Ielasi - Giuseppe Ielasi - Häpna
Colleen - Mort au Vaches - Staalplat
Various - The World is Gone - XL
Geir Jenssen - Cho Oyu 8201m - Field Recordings From Tibet - Ash International
Svarte Greiner - Knive - Type
Helios - Engya - Type
Sparklehorse - Dreamt for light years in the belly... - Capitol
Machinefabriek - Marijn - Lampse
Greg Haines - Slumber Tides - Miasmah
Encre - Plexus II - Miasmah
colleen et les boites a musique - colleen et les boites a musique - Leaf
Six Organs of Admittance - The Sun Awakens - Drag City
Thom Yorke - The Eraser - XL
Pan-American - For Waiting, For Chasing - Mosz
Liars - Drum's not dead - Mute
Mountains - sewn - staartje
Mono (2) - You are there - Temporary Residence
Wolf Eyes & Anthony Braxton - Black Vomit - Victo
Rafael Toral - Space - Staubgold
Proem - you shall have ever been - Merck
Quench - Caipruss - n5md
Uusitalo - Tulenkantaja - Huume
Ellen Allien & Apparat - Orchestra of Bubbles - Bpitch Control
Kilimanjaro Darkjazz Ensemble, The - The Kilimanjaro Darkjazz Ensemble - Planet Mu
Keith Fullerton Whitman - Lisbon - Kranky
DJ Krush - Stepping Stones: The Self Remixed Best: Lyricism - Sony
Kubik - Infinite Territory - Test Tube
Burnt Friedman & Jaki Liebezeit - Secret Rhythms 2 - Nonplace
Bardo Pond - Ticket Crystals - ATP
Boxcutter - Oneiric - Planet mu
Carla Bozulich - Evangelista - Constelation
Kieran Hebden and Steve Reid - The Exchange Sessions Vol. 1 - Domino
Belong - October Language - Carpak Records
compilação - International Sad Hits vol 1: Altaic Language ... - 20-20-20
Alva Noto - For - L-NE
Black Heart Procession - The Spell - Touch and Go
Goldmund - The Heart of High Places - Type

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quarta-feira, novembro 08, 2006

Lezrod - "Exploraciones sonoras de paisajes surreales y espacios infinitos" (Test Tube, 2006)



Aqui fica o texto que escrevi para o mais recente lançamento de Lezrod na netlabel portuguesa Test Tube. Este EP pode-se obter aqui. Vale bem a pena.

«Biosphere based his last work on the novel "De la Terre à la Lune", written by Jules Verne. He gave us the sounds of travelling into space, and the breathtaking silence of contemplating earth from the moon. Had David Velez, in his Lezrod disguise, inspired himself in the works of Jules Verne for this release, and I would say that he was showing us around the mighty submarine Nautilus, and then taking us in a guided journey through the deep sea.
Is the name "Submar" an abreviation for Submarine? Only David will know for sure. But in this first piece, everything is dark. Sounds that could almost be labeled industrial group together and are splintered with samples of water moving. Almost no rhythm, apart from the waves of static and the flow and ebb of distant echoes of dark sounds. A gloomy landscape, with the conforting melancholy that only Lezrod can achieve.
The song "Asiv" really gives the listener the impression of being underwater. The bleeps seem sampled off a sonar, the static and electricity that run through all its 18 minutes of duration could very well be the soft humming of the Nautilus' engine room, whose motors ran on an electric power source, as imagined by the brilliant Jules Verne.
Lezrod continues in the line of his previous releases for Test Tube and Zymogen. Except that his sound is getting thicker and more intense. A listener that know his previous work will certainly guess who's behind the wheel here, but in this release, he no longer lets clicks'n'cuts have so much focus, preferring to bring into the light some field recordings, carefully controlled noise drones, static, slow broken rhythms that only start to make sense after a few listens, ambients (aquatic, i stress once again) that seem to flow like waves, and so many more layers of sound. Lezrod's sound is getting more difficult, but more rewarding in equal proportion.
The title says it all: sonic explorations of surreal landscapes and infinite spaces. This is the best description one could give.
»

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segunda-feira, setembro 11, 2006

Encontros de Música Experimental - Palmela

De 4 a 7 de Outubro, ocorrerão os 6º Encontros de Música Experimental no Castelo de Palmela organizados por Vítor Joaquim. Após já alguns excelentes encontros, este ano o cartaz é superlativo:

October, 4

Micro Audio Waves (P) - link
Harald Sack Ziegler (D) - link

October, 5

Húmus (P) - link
Murcof (MX / ES) - link

October, 6

One Might Add (P) - link | link
Oval (D) - link 1 | link 2 | link 3 | link4

October, 7

Colleen (UK) - link
Naja Orchestra + Colleen (P+UK) - link

Com Colleen, Oval e Murcof, este torna-se provavelmente um dos melhores festivais de música electrónica deste ano. A expectativa é grande, principalmente para o concerto em conjunto entre a Naja Orchestra (comandada por Vítor Joaquim) e Colleen. Certamente a não perder.

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sexta-feira, julho 07, 2006

Mr. Lif : "Mo' Mega" (Definitive Jux, 2006)



Depois do anterior "I Phantom" (2002), album de estreia, se ter centrado na monotonia da vida moderna, o emprego, a falta de tempo para a família e para nós próprios, a obsessão pelo dinheiro, agora estamos mais no campo da adaptação dos chamados africanos-americanos à América, o racismo e a "escravatura" dos tempos modernos.
"Mo-Mega", o título do album, explicado pelo próprio Mr. Lif: Mo' representa o dialecto dos escravos negros na América. Mega representa o mundo hiper-modernizado em que vivemos. Mo'Mega é a sobreposição dos escravos e da elite, sem que haja qualquer terreno de entendimento entre as duas partes.
No campo musical, a maior parte dos temas é produzido pelo brilhante El-P, ex-Company Flow e patrão da editora Definitive Jux. Nos primeiros cinco temas, a parte instrumental que ele apresenta continua pelo caminho que apresentou em "Fantastic Damage", o seu album a solo. Forte, pesado, como se estivesse constantemente a tentar retratar os últimos momentos antes do apocalipse. Estilhaços que podiam ter saído do electro-industrial dos 80s/90s, um ambiente de ficção científica algo retro, tudo bem envolvido em funk/jazz e muito groove.
Não por acaso, estes primeiros 5 temas são os mais fortes, também em termos de letras. Desde a paranóia da segurança pós 11-Setembro, consumismo compulsivo ("Buy more Save more / We're your Saviour / Get 6 if you trade 4 / Chance of a lifetime"), críticas às administrações Bush e Clinton, a falta de atenção em relação aos massacres no Darfur e Rwanda quando comparados com a intervenção no Kosovo, a vida nos ghettos ("Up in the ghetto We're taught to bust shots / That's a bird in a bush and a fine line to walk / Get down / Stay down / Hold up / Back the fuck up / Get up / Stay up / Hold up / Back the fuck down! / Brothers is taught to bust shots"), a privacidade cada vez mais ameaçada, etc.
A partir do sexto tema, o ambiente fica mais animado. Produções do próprio Lif mostram os temas mais acessíveis e mesmo dançáveis que já lhe ouvimos, com muito sentido de humor e surrealismo à mistura (como em "Washitup!", uma dissertação sobre os dilemas do sexo oral sem a mais cuidada higiene por parte das "damas", com um ritmo dancehall a fazer as ancas mexer). Em "Long Distance", El-P volta aos comandos, e constrói um ritmo cheio de groove polvilhado com samples dos gemidos de um casal em sexo escaldante, enquanto Mr. Lif divaga sobre as dificuldades de manter uma relação à distância, e os rituais escaldantes do reencontro.
Depois deste intervalo de três temas, as coisas voltam a ficar mais sérias, com o album a terminar numa carta emocionada de Lif à sua filha, em "For You".
Em conclusão, Lif volta em grande, com convidados de peso (Aesop Rock, Blueprint, Akrobatik, Murs, e mesmo El-P dão contributos vocais). É um album variado, capaz de agradar a apreciadores das diversas facções do hip-hop, e que vale a pena ouvir.

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terça-feira, julho 04, 2006

Balanço do 1º Semestre de 2006

Está a ser um ano bom. Os regressos de Scott Walker e Current 93 corresponderam às melhores espectativas, com dois discos sobre a morte que acabam por ser, paradoxalmente, dois dos melhores discos de canções do ano, até agora. Das novidades, destaque para o movimento dubstep e os discos de Burial e Boxcutter. E dos portugueses já há excelentes discos de Dead Combo, Bypass, Phoebus e Kubik. Para além de tudo isto há a normalidade de quem já nos habituou aos bons lançamentos (Matmos, Burnt Friedmann, Liars, etc...). Aqui vai a minha lista do primeiro semestre, então:

Belong - October Language

Boxcutter - Oneiric

Burial - Burial

Burnt Friedman & Jaki Lieberzeit - Secret Rhythms 2

Bypass - Mighty Sounds Pristine

Colleen - Mort au Vaches

Current 93 - Black Ships ate the Sky

Dead Combo - Vol. II - Quando a alma não é pequena

Ellen Allien & Apparat - Orchestra of Bubbles

Fm3 - Mort au Vaches

Helios - Engya

John Duncan & Pan Sonic - Nine Suggestions

Keith Fullerton Whitman - Lisbon

Kieran Hebden and Steve Reid - The Exchange Sessions Vol. 1

Kubik - Infinite Territory

Liars - Drum's not dead

Matmos - The Rose has teeth in the mouth of the beast

Mono - You are there

Mountains - Sewn

Phoebus - Falésia

Ryoji Ikeda - Dataplex

Scott Walker - The Drift

Six Organs of Admittance - The Sun Awakens

Tape - Rideau

Uusitalo - Tulenkantaja

Zavoloka & AGF - Nature never produces the same beat twice


Para o próximo semestre já se esperam algumas boas novidades como Leafcutter John ou... Thom Yorke.

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quinta-feira, junho 29, 2006


Nº 26 da Mondo Bizarre

e já só faltam 24 números para a nº 100 :)

Como vem sendo hábito, voltei a colaborar com a Mondo Bizarre, desta vez com entrevistas a Ellen Allien & Apparat (na capa) e Bypass, e críticas aos discos de Ellen Allien & Apparat e Uusitalo.

E ainda:

Final Fantasy - Cansei De Ser Sexy - The Legendary Tiger Man - Year Future - Red Krayola - Ellen Allien & Apparat - X-Wife - Dave McKean - Stuart Staples - Ken Vandermark - Bypass - Sonic Youth - The Raconteurs - ESG - Serge Gainsbourg Revisited - Gnarls Barkley - Current 93 - The Twilight Singers - Six Organs Of Admittance - Loose Fur - TV On The Radio - The Black Heart Procession


Um grande número, assim parece. :)

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segunda-feira, junho 26, 2006

Uusitalo : "Tulenkantaja" (2006, Huume)



Vladislav Delay está de volta, desta vez sob o disfarce Uusitalo. Este é o segundo trabalho em que usa este pseudónimo, depois de "Vapaa Muurari Live" de 2000, lançado na Force Inc. Esse album de 2000 serviu como um escape techno para Delay, depois dos lançamentos ambientais ("Multila" e "Entain"), do house que assinou como Luomo e da electrónica hiper minimal de Sistol. Este novo album continua na via do techno.
O som apresentado poderá situar-se algures entre Detroit e Berlim. Mas tem passagem pela calma da fria Finlândia, cujas paisagens fantasmagóricas cobrem a capa e booklet do cd. São ambientes algo desolados aqueles que podemos ouvir, disfarçados por entre os ritmos techno/funk/house alimentados por batidas quadradas e maquinais. Em alguns momentos também viajamos até ao cinzento mais urbano de Londres, com alguns sub-graves mais vibrantes a lembrarem o dubstep que por lá floresce. Também aparece o techno mais "emocional" de Lawrence ou Pantha du Prince.
Mas acima de tudo, este trabalho não se afasta muito do já vasto percurso que Vladislav Delay fez até aqui. A sua larga discografia varia entre o ambient, o house, o techno ou a electrónica mais difícil de classificar que lança com a sua companheira AGF. E nota-se que este trabalho faz parte desse todo. Temos assinaturas inconfundíveis, sinais evidentes de quem está por trás das máquinas. E ele faz questão de confundir tudo e deliciar os ouvintes que consigam passar além do mais óbvio, e não desistam nas primeiras audições.
Excelente, como tudo em que este finlandês toca.

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segunda-feira, junho 19, 2006

tube'|043
Kubik
Infinite Territory

Victor Afonso is a portuguese musician living in Guarda, a city lying near Serra da Estrela (Star Mountain) at some 1000 meters above the sea level. He has been releasing music under the name Kubik (2 albums) as well as in many other projects. “Oblique Musique” and “Metamorphosia” albums recorded as Kubik showed up a musician deeply inspired by cinema and also by a great variety of music, from eastern europe folk to contemporary drum’n’bass. This alloy allowed Kubik to develop a very personalized and surrealistic sound, which defies the listener imagination with a wave of references sequenced in a way that take shape in the form of musical pieces. “Infinite Territory” is his new release. It is a departure from earlier works, because here Victor Afonso decided to explore electronic music more close to the IDM genre. It is obvious from “Infinite Territory” that musicians like Amon Tobin or Aphex Twin play an important role as sources of inspiration. This EP is very well balanced between ambient soundscapes and bursts of drill’n’bass, showing Kubik at the maximum of his skills and inspiration. From phantasmagorical pieces like “Bona Fide”, to kinetically unstable tracks like “Infernis”, “Plus Ultra” and the surrealistic “Non Hilum” (perhaps the track more related with his previous works), Kubik shows up his personal view of what electronic music (or IDM) can be, with a great capability to create images in the mind of the listener, rather than being purely another kind of dance music. “Infinite Territory” is therefore a kind of a soundtrack of a lost science-fiction movie, lost in the outskirts of the galaxy (or, more precisely, of the mind), exploring lost territories and lost spirals that liewithin the more pristine forces of nature.

PS: o texto foi escrito em inglês para a Test Tube. Podem sacar o álbum aqui.

Textos relativos: crítica ao álbum "Metamorphosia" de Kubik.

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sábado, junho 17, 2006

Helios : "Eingya" (Type Records, 2006)



Sempre que ouço este disco, e tem rodado bastante cá por casa, desde o primeiro tema que o tempo parece passar mais vagaroso. O ritmo da respiração do ouvinte abranda, os olhos humedecem levemente, a garganta aperta. O peso da beleza do trabalho que Keith Kenniff apresenta é sufocante. Nada que não nos tivesse já habituado, seja sob o pseudónimo de Helios (magnífico "Unomia", lançado na Merck em 2004) ou de Goldmund. Mas este album bate tudo o que ele já fez anteriorente.
Em vez da predominância da electrónica do album de estreia "Unomia" ou da solidão dos temas em piano que apresenta como Goldmund ("Corduroy Road", também na Type, 2005), aqui juntou dedilhares de guitarra, bateria, e outros instrumentos, todos eles executados como se o mundo fosse terminar no dia seguinte. A gestão dos silêncios, todas as emoções que consegue libertar, apontam em várias direcções: desde a desolação nocturna do album de estreia dos A Silver Mt. Zion : "He has left us alone but shafts of light sometimes grace the corners of our rooms", até aos ambientes mais épicos dos Sigur Rós, passando pela delicadeza e suavidade de Colleen, ou pelos ambientes bucólicos dos loops mágicos de Manyfingers.
A cereja no topo do bolo são quatro versos de Fernando Pessoa que Helios decidiu colocar no inlay do cd: "I'm not who I have in memory / Nor who is in me now. / If I think, I self-dismember. / If I believe, there is no end."
É uma absoluta recomendação, para fans de IDM, de metal, de rock, pop, indie, seja para quem for. Ouçam e apaixonem-se.
É também uma confirmação da excelência da editora Type. Depois de Deaf Center e Sickoackes, a melhor melancolia mora ali.

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segunda-feira, maio 29, 2006

Pan Sonic na ZdB

O duo Pan Sonic esteve presente na noite mais quente do ano na Galeria ZdB (perdi a conta ao número de cervejas que bebi). A noite começou de uma forma diferente do normal. Às 22h00 já os Major Electrico tinham começado o seu concerto, apanhando desprevenidos quem normalmente conta com 1h30 de tolerância na ZdB. Seja como for não era (?) possível (?) ver o concerto (?) dos Major Electrico simplesmente porque a entrada na sala do concerto estava "barrada" com fitas de papel. Provavelmente os Major Electrico estavam com calor e queriam a sala arejada. Seja como for gerou-se imediatamente a expectativa de quem seria o primeiro a rasgar aquelas fitas, o que inevitavelmente acabou por acontecer. E o concerto dos Major Electrico até foi bem interessante... pelo menos o que se ouvia! Ninguém soube o que se passava no palco, a menos que saissemos da ZdB para ver na parede de vidro do aquário. Zbigniew Krakowski apareceu depois de surpresa para tocar uma faixa apenas, aparentemente a pedido dos Pan Sonic. Foi muito na linha do noise do Merzbow, interessante sem ser propriamente original. Adivinhava-se alguma percussão no fundo da muralha sonora, um pouco como tem acontecido justamente nos trabalhos mais recentes do japonês.
Os Pan Sonic vieram depois com a sua linha de osciloscópio projectada no écran. O concerto dos Pan Sonic foi ambivalente, entre descargas de noise e propostas de techno próximo daquilo que Mika Vainio edita a solo (e que lembra também Monolake ou Sleeparchive). Nalguns momentos parecia tudo incrivelmente simples e eficaz, noutros momentos pareciamos estar a assistir a um concerto de rock ressuscitado por máquinas infernais. Suspeita-se que a maior parte das faixas irão estar incluída no novo álbum a ser lançado em Outubro, de tal forma foi reduzida a inclusão de faixas de discos antigos. Ao vivo resultaram plenamente, apesar de ter causado nalgum público que espera dos Pan Sonic chinfrineira capaz de derreter miolos. Não foi o meu caso, que achei o concerto de sabado francamente melhor que o do Lux há 2 anos atrás.

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Ovo de Colombo

in antena 3

"O grupo português OVO edita esta semana o álbum de estreia e numa acção pioneira em Portugal, disponibiliza-o na totalidade via Internet e gratuitamente."

Até que ponto a responsabilidade desta afirmação é da banda ou do jornalista que a escreveu? Das duas uma: ou estamos perante um grave caso de ignorância (é obrigação de qualquer jornalista musical saber que existem para aí 1000 Netlabels só em Portugal, cujo número cresce todos os dias), ou então de desinformação promocional. Como uma mentira contada muitas vezes pode convencer muita gente, vale a pena lembrar que isto já nada tem de pioneiro e já começa a ser até algo rotineiro.

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domingo, maio 28, 2006

Burial : "Burial" (Hyperdub, 2006)



Burial é outro nome que está a fazer furor no Dubstep com este album de estreia. Juntamente com Boxcutter (ver crítica abaixo), está a abrir o Dubstep a outras influências, uma espécie de evolução feita de dentro para fora do género.
Burial começou por ser fan do jungle / drum'n'bass da década de 90, confessado apreciador de Photek, Omi Trio e dos vários projectos ligados à editora Metalheadz de Goldie. No final dos anos 90 descobriu o Garage, e foi fazendo música para ele próprio e para os seus amigos, até descobrir a editora Hyperdub de Kode9, um dos grandes nomes do Dubstep. Dessa ligação nasceu este album, uma obra maior que revela a frescura deste género da electrónica Londrina, e faz com que os fans dos mais variados estilos de música virem para lá a sua atenção.
É sintomático que a identidade de Burial se mantenha misteriosa, e algo que ele tenta esconder. A música é o mais importante para ele, e o mistério torna a sua audição ainda mais excitante. Confessa que ficou desiludido quando soube que o seu herói Photek era na verdade Rupert Parkes, uma pessoa normal como outra qualquer, no seu estúdio em Ipswich. Burial confessa ter aversão a estúdios, já que não se considera um músico, não tem treino musical, e usa ferramentas muito rudimentares para construir o seu som. Por exemplo, o programa Soundforge. E sem sequenciador, prefere colocar as batidas por instinto, sem qualquer preocupação para que apareçam "certinhas".
Na capa do album, a zona de South London vista de cima. Em tons de cinza. Há uma melancolia e uma escuridão que percorre todo o trabalho, em parte devido ao sentimento de que estamos a ouvir um velho album em vinil. Há estática, picos típicos do vinil, uma camada profunda de som que remete para algo já passado. E que remete também para o som típico das editoras ligadas à Basic Channel, o eixo Berlim - Detroit, entre o dub e o techno. Vladislav Delay, Porter Ricks, os primeiros tempos de Monolake, todos da editora Chain Reaction. Também o som característico de Pole parece ser uma influência. Mas não. Burial confessa não conhecer estes grupos. O som que apresenta é resultado da escassez dos meios que prefere usar, tentando esconder as imperfeições que daí advêm. Samplou o crepitar de vinil, de fogo, de chuva, de estática de emissões piratas de rádio. E assim preenche os espaços entre as batidas, "enterrando" pequenas melodias, pequenos samples. O som resultante soa novo e fresco, como uma evolução lógica do drum'n'bass mais cerebral de Photek, Icarus ou J. Majik. E a evocar a solidão de grandes metrópoles, como Vladislav Delay ou Monolake.
No tema "Prayer" samplou um loop da batida principal de "Teardrop" dos Massive Attack, tornando-o na plataforma ideal para criar um sentimento ao melhor estilo dark-ambient, pelo meio de ecos, reverberações, dub. Muito, muito bom. Em "Distant Lights", samples de vozes que parecem saídas de um disco de soul dão um ambiente que remete para uns Two Banks Of Four mais negros e com som esquelético. Os sub-graves fazem vibrar tudo, sente-se o calor do dub, quase sufocante. É uma simbiose quase perfeita entre tema para uma pista de dança e para ouvir com auscultadores, de olhos fechados. É nesse fio da navalha que se move Burial. O cérebro e o corpo. Sedutor.
Um dos albuns do ano, sem pontos fracos. Arrisco a afirmar que será um clássico.

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quarta-feira, maio 24, 2006

FMM - Festival Músicas do Mundo, edição 2006

Já tem programa. Informações aqui.

Para além de ser a edição com mais concertos, a qualidade das propostas deste ano parece insuperável. Boris Kovac, Rabih Abou-Khalil, Gaiteiros de Lisboa, Toumani Diabaté, Alamaailman Vasarat, The Bad Plus, Tony Allen e Värttinä são suficientes para tirar o folego a qualquer um. E, todos os anos, há sempre uma surpresa bastante boa no programa.

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segunda-feira, maio 22, 2006

Em Paredes de Coura, em 2006, irão estar...

The Cramps, no mesmo dia de Bauhaus, e Broken Social Scene.

E eis como de repente o festival passou a valer a pena : )

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Novidades da Bor Land




A imparável editora nortenha tem muitas novidades para oferecer. "Mighty Sounds Pristine", dos Bypass, já saiu este mês, e é um belo disco de uma banda que só agora lançou o seu primeiro álbum. Da dupla Alexandre Soares + Jorge Coelho surge um 7" chamado "Cães aos circulos", um curioso diálogo instrumental entre os dois músicos que pode ser descarregado gratuitamente aqui.

Iremos voltar a estes trabalhos brevemente.

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Pan Sonic - Entrevista na Mondo Bizarre




Os músicos filandeses mas talentosos na face do planeta (juntamente com Kimmo Pohjonen, Vladislav Delay, etc...) vão tocar no próximo sábado, dia 27 de Maio, na Galeria Zé dos Bois em Lisboa. A antever esse concerto foi feita uma entrevista para a revista Mondo Bizarre que pode ser lida aqui.


Ler também texto antigo publicado na Mondo Bizarre a propósito do álbum "Kesto" aqui.

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quarta-feira, maio 17, 2006

Boxcutter : "Oneiric" (Planet-Mu, 2006)



O dubstep parece estar a produzir albuns interessantes. Boxcutter, um dos artistas do género em quem é depositada muita esperança, edita o seu primeiro album na Planet-Mu, depois de ter chamado a atenção com vários 12'', principalmente com o single ‘Brood/Sunshine’ na editora Hotflush. Esses 12'' aparecem todos neste album.
E de que trata o dubstep segundo Boxcutter? De subgraves fortíssimos, que envolvem ritmos que não chegam a ser drum'n'bass devido ao seu curioso tempo, que deixa espaço para outros estranhos sons e pequenas melodias se manifestarem. E o silêncio, que bela gestão Boxcutter faz do silêncio. Ambientes de tensão, sempre na beira do abismo, prestes a explodir. Mas há sempre mais, outra espiral de baixos densos, de detritos, quase industrial. O primeiro tema, "Grub", é tudo isto e muito mais.
Não é música de dança para as pistas, pelo menos para as convencionais. Mas a verdade é que apetece ouvir este som no melhor sistema possível, e muito alto. É o tipo de som que se sente pelo corpo, as vibrações são imensas. Cru, violento, de alguém cheio de energia. Como aquela colecção de temas bem antigos do Aphex Twin, o "Classics"?
Em "Hyloz" os ambientes desolados por onde se perderam os sonhos de Aphex Twin em "Selected AmbientWorks II" são revisitados, envolvidos por batidas igualmente assustadoras. Venetian Snares ou Haujobb também sonharão com estes ambientes eléctricos?
Photek dos EPs "Hidden Camera" e "Ni-Ten-Ichi-Rye" vem à cabeça, principalmente pelos ambientes de tensão e pela imaginação dos ritmos e do espaçamento dos beats. Também os primeiros dois albuns de Icarus tinham essas características. A época de ouro do drum'n'bass, portanto. As referências acumulam-se mais do que parece razoável, mas mesmo assim há aqui um traço distintivo. Algo que nos permite dizer que este album pertence já ao Século XXI.
"Chlorophyll" e "Sunshine" já não são dubstep mesclado com inúmeras referências, são IDM, electrónica muito interessante.
Talvez Boxcutter possa ser lembrado daqui a algum tempo como o Aphex Twin ou o Squarepusher do dubstep. Se continuar com este nível de qualidade, há boas hipóteses disso acontecer. Há no entanto a desvantagem deste album ser maioritariamente uma colecção de temas já editados anteriormente e separadamente. Ainda que se note muita qualidade em cada um deles, quando for pensado um album inteiro e coeso, talvez tenhamos uma obra maior da electrónica.
Entretanto, leia-se esta excelente entrevista. Fica-se a saber que Boxcutter aprecia jazz cósmico, com Alice Coltrane, John Coltrane e Pharoah Sanders ao barulho... Refere "The Creator Has A Masterplan" deste último como influência neste album, principalmente ao nível da percussão. Curioso ainda que Mike Paradinas, patrão da Planet-Mu, tenha recusado editar Boxcutter em 2003 porque o demo que recebeu era demasiado parecido com o acid jungle que nessa altura era produzido por... Aphex Twin e Squarepusher!

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terça-feira, maio 16, 2006

Herbert : "Scale" (K7!, 2006)



Matthew Herbert está de volta com este novo "Scale". No ano passado lançou "Plat Du Jour", um album que não me entusiasmou, e ficou mesmo aquém da experiência com uma big-band de "Goodbye Swingtime". Mas, depois de dois lançamentos menores, desta vez parece ter voltado à boa forma de "Around The House", e principalmente do fantástico "Bodily Functions".
Neste trabalho a misturada é enorme. Soul, funk, disco, r'n'b, jazz e house convivem com muito groove e abanar de anca. O som está solto e relaxado, talvez porque desta vez Herbert deixou de lado as regras e restrições que impunha a si próprio desde 2000, no "contrato" PCCOM. Um bom exemplo dessa liberdade é o primeiro single deste album, "The Movers And The Shakers". Neste tema misturam-se pedaços do experimentalismo habitual, com vários micro-organismos sonoros a rastejarem subterraneamente através do tema, ecos das marchas das brass bands de New Orleans, uma voz masculina próxima do soul de Stevie Wonder, tudo enrolado num ritmo que agarra do princípio ao fim.
"Something Isn't Right" fala da iminente quebra de uma relação, apresentando-a da maneira mais sexy e cool que possamos imaginar. A voz sedutora de Dani Siciliano é acompanhada por uma voz masculina feita de veludo, na tradição de Marvin Gaye. As duas vozes, quase em falseto, fazem os corpos dos ouvintes ondular pela pista de dança, enquanto uma secção de cordas faz a bola de espelhos girar lentamente. Essa bola de espelhos entra em loucura ao terceiro tema, "Moving Like a Train". O ritmo disco e a voz de Siciliano trazem bolinhas coloridas e pistas de dança cheias de homens de fatos justos como Travolta em "Saturday Night Fever". Tudo isto oferecido, mais uma vez, pela secção de cordas. A fazer lembrar o excelente "Plans & Designs" dos Faze Action. E pensar que esse album já tem quase 10 anos... "Harmonize", que vem a seguir é o tema que mais lembra "Bodily Functions". Mais próximo do house e do jazz, ritmado e melódico, uma delícia.
A festa continua album fora, apenas quebrada por alguns temas mais calmos. Ao nono, "Movie Star", temos a prova do já várias vezes confessado amor de Herbert e Dani Siciliano pelo r'n'b. Começa como se de uma banda sonora de um filme se tratasse, com a big-band em acção e o sample de um projector em fundo. Mas vai-se transformando a pouco e pouco, mostrando um ritmo cheio de breaks em câmara lenta, com a voz de Dani Siciliano a ficar muito sexy, ora sedutora, ora dominadora."I'm feeling like a movie star" "What is it you want me to, what is it i have to do?" "It's just like a movie, direct me in it, cut the bits you don't like out". Perversão e doçura. Imaginemos Beyoncé em cabedal e voz sexy.
É sem dúvida um album que se ouve muitíssimo bem, cheio de pormenores para descobrir. A grande questão é saber se este "açucar" que mostra aguentará a passagem do tempo. De qualquer forma, agora é simplesmente viciante.

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quarta-feira, abril 12, 2006

Mono "You are there" (Temporary Residence, 2006)
Sickoakes "Seawards" (Type, 2006)

Não raras vezes há heranças musicais particularmente pesadas. Acontece principalmente quando alguém consegue criar algo novo, mas que tecnicamente não era dificil de realizar e que facilmente pode ser enquadrado numa formula. É isso que acontece com a música dos godspeed you black emperor! e dos Mogwai: apesar de toda a sua intensidade, é "replicável" com alguma facilidade. Vai daí aparecerem dezenas de bandas clones da original é apenas um passo.
Os japoneses Mono (não confundir com os ingleses Mono, que na década de 90 nos ofereceram um álbum magnífico chamado "Formica Blues") são um exemplo desses clones. No concerto em Lisboa há uns tempos atrás apresentaram um som que ora lembrava gybe!, ora lembrava Mogwai, de uma forma alternada. Por isso as espectativas não eram as melhores para este novo álbum deles. E ouve-se "You are there" e reconhecem-se todas essas formulas no disco. E então acontece algo de particularmente interessante: "You are there" é um disco muito bom, apesar de "formulaico". Principalmente quando a banda decide não ir aos inevitáveis "altos" (que às vezes soam desnecessarios) como acontece na faixa "Are you there".
Já os Sickoakes partem da mesma formula mas tentam ir além dela e criar algo novo. São formalmente bem mais arrojados que os Mono. E realmente a primeira faixa "Driftwood" mostra que eles serão capazes de boas coisas. O problema é que depois lhes falta a inspiração para fazer melodias que existe no novo álbum dos Mono. E então progressivamente "Seawards" torna-se chato. Os Sickoakes arriscaram, mas terminaram nos lugares comuns do post-rock dos anos 90, sem melodias inspiradas que os salvassem. Talvez num próximo disco a coisa fique melhor e talvez ao vivo os Sickoakes se mostrem um pouco mais soltos. Para já "Seawards" é apenas uma promessa a roçar a mediania.

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quinta-feira, abril 06, 2006

O fim do Blitz

Está agendada para este mês a última edição deste jornal de música. Sobre este acontecimento apetece-me dizer algumas coisas.

1 - A importância do Blitz - O Blitz percorreu quase toda a década de 80 e toda a década de 90. E, numa altura em que a informação musical em Portugal era escassa, o Blitz assumia-se como um autêntico farol que nos guiava e nos dava a conhecer o que de melhor se fazia lá fora no campo da música. Todas as semanas havia uma excitação por comprar o Blitz... de que banda nova irão eles falar? Irá aparecer um álbum novo da banda X? Como foram os concertos ali e acolá? Há alguma banda portuguesa a despontar? Foram anos e anos a fio a ter este tipo de sentimentos, de expectativas e de formação (ou crescimento) musical.

2 - A decadência do Blitz - Infelizmente este não foi um idilio eterno. A dada altura as coisas começaram a encalhar. Basicamente o Blitz sofreu vários "choques" nos últimos anos: a TV por cabo (e a MTV e semelhantes) passou a mostrar imagens em primeira mão dos artistas de que o Blitz falava, deixou de haver o tal mistério; as revistas musicais estrangeiras começaram a ser de fácil acesso para todos (pelo menos para quem mora em Lisboa); a internet começou a ser a fonte primordial de informação musical (seja através de sites estrangeiros como a Pitchfork, seja através de sites nacionais cujos pioneiros terão sido a Musicnet e a Radio Pirata); finalmente os programas de partilha de música quase que se massificaram. Foram circunstâncias muito adversas. A resposta do Blitz a estas movimentações e mudanças foi sempre tardia, pouco flexivel e às vezes com alguns erros clamorosos. Quando se chamava a atenção de que o Blitz não falava em muitas bandas, a resposta era que eram "desconhecidas", que o mercado não estava "receptivo" (como se os leitores do Blitz preferissem uma playlist à descoberta...) ou então que os discos não estavam editados em Portugal (como se não existisse importação ou programas de partilha de ficheiros na internet). A tudo isto o Blitz reagiu com derivas Nu-Metal já fora do prazo de validade nos tempos da Sónia Pereira ou com tentativas de aproximar o Blitz do mainstream nas últimas 2 direcções. Quanto a reacções ao mundo real, o Blitz agia ou com atraso, ou com uma distância quase snob. Achava sempre divertido ler alguns textos sobre concertos na Galeria Zé dos Bois, onde basicamente os jornalistas do Blitz raramente conseguiam perder a mania de avaliar de uma forma "olha os vanguardistas amadores com projectos musicais que não interessam a ninguém". É claro que existiam excapções, é claram que existiam muitos bons textos no Blitz, mas nada disso impedia que se sentisse que as noticias e crónicas no Blitz eram ou requentadas ou dirigidas apenas uma faixa de público que se revisse nas "private jokes" e manias de quem escrevia. Lembro-me de existirem concertos no Coliseu no domingo à noite, e a crónica desse concerto não aparecia na 3ª feira seguinte porque a redacção fechava na 6ª feira (!). Todos estes acontecimentos acumulados com o facto da situação ser mesmo adversa conduziram à decadência do Blitz.

3 - O Blitz termina - E eis que o Blitz termina no dia 24 de Abril de 2006. Que raio de data foram escolher...

4 - O Blitz ressuscita (?) - E eis que o Blitz ressuscita como revista mensal. Que pensarão os jornalistas e donos do Blitz? Que o Blitz deixará de ser o NME português para ser a Uncut portuguesa? (sim, porque The Wire portuguesa dúvido muito). Eu digo o que vai ser. O igualmente saudoso Se7e também ressuscitou depois de morrer sob a forma de uma revista, com bom papel e tal, há uns 12 anos atrás. Teve uma vida tão curta... porque simplesmente não havia mercado. O nome do Blitz pouco irá valer depois desta transformação, na prática é adiar o inevitável: o fim do único jornal sobre música em Portugal. 20 anos depois o Blitz cumpriu a sua função: formou imensa gente, gente que escreve blogs, promove concertos, formaram até bandas. Esse tempo acabou. É pena, mas o Blitz não soube adaptar-se e agora receio que seja tarde demais. Durante 20 anos houve um nicho de mercado que tornava rentável a existência de um jornal sobre música em Portugal, esse tempo terminou porque as pessoas mudaram e o Blitz deixou de ser assim tão essencial. Mete pena nunca mais ver este jornal na banca todas as 3ª feiras, era algo familiar, mas teve que ser assim. Desejo a melhor das sortes à nova encarnação do jornal (acho que vão precisar...) e oxalá que consigam vingar e eu esteja errado. Uma coisa é certa: não é por passarem a ser uma revista mensal que passam a ter mercado. Os conteúdos serão sempre a chave da sobrevivência do jornal. Para o Blitz sobreviver terão que voltar a ser tão essenciais quanto eram há 10 anos atrás. Serão capazes de estar à altura deste desafio, depois de tantos erros cometidos?

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