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quarta-feira, março 31, 2004

Funckarma : "Solid State" (Dub, 2001)



Por aqui continuam-se a ouvir trabalhos dos irmãos Don & Roel Funcken.
Apenas agora tive a hipótese de ouvir este "Solid State" de 2001, ano de "Confield" dos Autechre, "Amnesiac" dos Radiohead, "Peel Session" dos Rechenzentrum ou "Aaltopiiri" dos Pan Sonic. Este segundo album dos Funckarma não faz má figura ao lado dos referidos albuns (para mim os melhores desse ano), e entraria mesmo no top-5.
Electrónica claramente influenciada por Autechre ou Bola, mas a levar o legado para lá da mera citação. Os destaques vão para temas como "Lolala" (aproximação ao pós-rock pelo flanco da IDM, com baixo, bateria, piano e noise - jazz/idm/melancólico) e "Bace" (violinos e violoncelos - a prenunciarem o excelente "Martes" de Murcof? - entre cascatas de sintetizadores e ruídos fantasmagóricos).
Todo o album é atravessado por aquela mistura entre melancolia e alimento para o cérebro tão característica da fase "Amber"-"Tri Repetae"-"Chiastic Slide" dos Autechre, mas numa onda mais "sinfónica", com as melodias mais salientes.
Também os Future Sound Of London são para aqui chamados, com a sua capacidade de dar expressão sonora às metrópoles do futuro e aos sentimentos de solidão imensa dos seus habitantes.
Excelente para ouvir enquanto se viaja, seja mentalmente ou fisicamente.
(Entretanto os Funckarma apenas têm lançado 12'' em várias editoras, espero que sejam oportunamente reunidos num cd.)

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terça-feira, março 30, 2004

O ROCK VIVE

Está a ser um óptimo inicio de ano para o rock. Não por causa dos novos herois do pop-rock Franz Ferdinand (que tomaram o lugar dos muito mais interessantes Strokes), mas porque a música de um certo rock experimental com origem nos EUA se tornou mais acessível tanto ao nível do som, como ao nível da disponibilidade dos álbuns (tanto para comprar, como para sacar do soulseek).

Dois exemplos:

BLONDE REDHEAD "MISERY IS A BUTTERFLY"



Estes são de Nova Iorque, e já andam a fazer música há muitos anos. Agora surgiu um contrato com a mítica editora 4AD (Pixies, Throwing Muses, Dead Can Dance...), e começam já a ser uma referência para muita gente (são uma óbvia referência dos Deerhoof, que irão ser referidos brevemente), e já há aquele cheirinho a banda lutadora que conseguiu reclamar o seu lugar após muita persistência. Eles cá estão! E cá está um belo álbum, feito de canções que tanto me lembram os Sonic Youth como me lembram os Stereolab, e que mais parece uma banda europeia apesar de serem americanos e da cantora ter origem japonesa. Melting pot de culturas? Nem tanto, nos tempos da globalização já não há grandes diferenças entre jovens de diferentes paises. Mas, e aqui está, é o suficiente para tudo isto soar a uma brisa fresca que entra pela janela.

ONEIDA "SECRET WARS"



Estes gajos também já são cotas. E que evolução desde o outro álbum que ouvi deles, o "Anthem of the Moon"! Agora as canções são contagiantes, a batida insindiosa e continuam a fazer barulho! Alguém falou em Liars? Eles falaram, os Oneida tiveram recentemente colaborações com os Liars e os 25 Suaves, em EPs partilhados. E os paralelismos com o último trabalho dos Liars é realmente grande, e significa acima de tudo uma coisa: finalmente o rock com guitarras foi devolvido ao seu lugar, onde a experimentação/inovação está fortemente ligada a uma forte consciência do passado e a uma capacidade de nos mexer nas entranhas. O rock é físico, os Oneida são físicos, quando ouço o "Secret Wars" revolvem-me as entranhas, apetece-me saltar e ainda tenho tempo para pensar nas letras vagamente anti-guerra deste álbum.
Ah, tem uma canção chamada "Cesar's column"!

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sexta-feira, março 26, 2004

MONO NA GALERIA ZÉ DOS BOIS - 26 DE MARÇO DE 2004

Ir ouvir um concerto de rock, com guitarras ao alto, com os pulmões a vibrar, é um sentimento especial para quem já assistiu a muitos concertos. É uma sensação de conforto, como o que uma criança sente quando passa um fim de semana fora e depois volta para o seu quarto, junto dos pais, mesmo se o quarto não é nada de especial ou que no fundo lhe apetecesse mais estar com os amigos. É uma atitude simultaneamente comodista, nostalgica e confortável. E foi um pouco isto que senti ontem no concerto dos Mono. Da alternância de cópias chapadas de temas dos godspeed you black emperor! e Mogwai, retirei o meu prazer quando as guitarras tocavam alto, quando a bateria massacrava o cerebro com a sua batida semi-infernal. Nada de novo, portanto, o prazer aqui tinha muito pouco a ver com o facto de se estar a assistir a um concerto verdadeiramente bom. Até que, subitamente, fui atingido por uma vaga de sons, que me fez sentir como se tivesse sido atirado ao chão. O último instrumental dos Mono foi uma cavalgada que me fez lembrar os instrumentais infernais dos Magma (banda francesa de rock progressivo dos anos 70), com uma batida marcial e guitarras altas, muito altas! Acabei em extase e a pensar porque raios é que eles só têm uma música assim. Era muito mais cool se eles fossem eles próprios como foram nesse tema, em vez de copiarem vezes sem conta os seus "mestres".

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quinta-feira, março 25, 2004

Novo album de Skinny Puppy em pre-order



A loja inglesa Music Non Stop já está a aceitar pre-orders do novo "The Greater Wrong Of The Right". A data de saída do cd é 25 de Maio.
Para além de cEvin Key e Nivek Ogre, participam ainda no cd Danny Carey ( TOOL ), Wayne Static ( STATIC X ), Statik ( STATIK SOUND SYSTEM ), Omar Torres, Otto Von Schirach, Cyrus Rex, Pat Sprawl, Saki Kaskas e Traz Damji.
É um dos albums mais aguardados dos Patos Quânticos. Está quase!

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quarta-feira, março 24, 2004

UMA VIAGEM AO JAPÃO:

E agora uma viagem até ao outro lado do mundo, entre a electrónica e o rock, espero não me perder na tradução.

MOTOHIRO NAKASHIMA "AND I WENT TO SLEEP"


Nesta primeira viagem encontramos uma revisitação de um subgénero da electrónica, a indietrónica. Tal como é típico, temos aqui uma cruzamento de sons electrónicos/digitais com sons acústicos. Contudo aqui vai-se uma pouco mais longe, evitando-se as armadilhas da revisitação dos anos 80, aparecendo sons francamente mais abstractos que nos novos de Lali Puna ou Telefon Tel Aviv (só para dar dois exemplos), aliados ao mesmo sentimento de discos como o de Alva Noto & Ryuchi Sakamoto do ano passado.

GHOST "HYPNOTIC UNDERWORLD"


Aqui mergulhamos num mundo encharcado de substâncias dopantes revivalista da cena prog dos anos 70. Só que ao contrario dos conterraneos Acid Mothers Temple, aqui há uma visão mais segura do que deve ser uma canção. Muito variado, tanto se aproxima do free jazz, como tem uma veia pop latente, acaba por pecar por ser demasiado longo. Mas o psicadelismo da mistura do rock com tudo o que é esquisito torna este um disco que vale muito a pena.



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terça-feira, março 23, 2004

AUDIÇÕES BREVES

Estas são primeiras impressões sobre álbuns ouvidos em mp3. O disco "Music by Cavelight" do Blockhead não correspondeu às minhas expectativas. Apesar de estar muito bem feito e produzido, falta qualquer coisa ao nível da composição que me faça esquecer álbuns de sonoridade semelhante, como os de Lemon Jelly e Mr. Scruff. No caso dos To Rococo Rot o caso é mais bicudo. Sou um fã deles e vibrei com o concerto deles na estação de Metro do Chiado. Contudo o álbum "Hotel Morgen" parece demasiado inofensivo, o que me faz pensar que o I-Sound faz muita falta. Os Múm têm desapontado muita gente com o novo álbum que aí vem, mas o single "Nightly Cares" parece demonstrar que há aqui mais qualquer coisa do que uma voz angélica. O instrumental que acompanha a canção é mesmo muito bom, o que deixa boas esperanças para o concerto que aí vem. Quem também aí vem são os japoneses Mono (não confundir com os ingleses que fizeram um dos melhores álbuns de trip-hop de sempre, o "Formica Blues") estarão em Lisboa na 5ª feira. Por agora ouvi o último álbum, que me deixou bastante desapontado. Mas pode ser que ao vivo haja transcendência.

Para breve, audição do novo dos Ghost, que são capa da Wire de Abril.

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sexta-feira, março 19, 2004

YOUNG PEOPLE "YOUNG PEOPLE"



Na música actual torna-se cada vez mais dificil aparecer uma banda/projecto na área do rock que consiga ser inovadora sem parecer inconsequente, que consiga ter emoções à flor da pele sem que com isso ceda à desafinação e/ou instrumentos mal tocados só porque sim. Maus exemplos há às carradas. Mas ficando-me pelos bons exemplos, lembro a Shannon Wright, a Edith Frost, a Rebecca Moore, o Howe Gelb dos Giant Sand ou os Sparklehorse. Os Young People poderiam ser mais uma banda, mas conseguem aguentar um barco a navegar em sons inspirados algures nos Yo La Tengo, nos Tarnation e, ainda mais primordial, nos Velvet Underground. Baseados também na música country americana, partem para um som marcadamente lo-fi, que conquista pela intensidade da voz da cantora (Katie Eastburn, que lembra a PJ Harvey e a Paula Frazer) e pelo noise instrumental de fundo que dá uma muralha de som tosca mas eficaz, como os pequenos ruidos da nossa alma que nos alimentam e nos corroiem. Um belo disco de estreia, já de 2002, que vale a pena descobrir. Tenho mais uma banda para juntar à lista de bons exemplos, portanto.

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quarta-feira, março 17, 2004

Quench : "Dyn" (U-Cover, 2004)



Mais um disco dos irmãos Don & Roel Funcken, responsáveis pelo projectos Funckarma e Cenik, e ainda pela parte instrumental dos Shadow Huntaz.
São dois irmãos imensamente prolíficos, já editaram com os seus vários projectos nas editoras Dub, Neo Ouijia, Eat This, Toytronic, Isophlux, Delikatessan, ON, Prospect, U-cover... Entre outras... Acabaram também de lançar um 12'' pela Arcola (subsidiária da Warp) do seu novo projecto Cane.
Como Quench, este é o segundo album na editora U-Cover, após "A Journey Into Electronix" de 2001. Também editaram um mini-disc na editora N5MD, propriedade de um dos Gridlock. Nada é por acaso, e um tema deles foi seleccionado pelos Funkstörung para a compilação "Mas Confusion". O som dos dois grupos tem fortes pontos de contacto.

"Dyn" é um album de electrónica, daquela que muito me agrada, trespassada por um fio de melancolia nas melodias e com muito ritmo, sem medo de provocar o ouvinte.
Alguns dos temas aproximam-se do hip-hop electrónico "avariado", misturado com ecos industriais de motores enferrujados dos Autechre do album "Tri Repetae" e do Ep "Envane", mas a isto junta-se algum dub, algum funk robótico, electro, e mesmo algum drum'n'bass. É um album variado, sempre dentro da electrónica, e sempre com muita emoção escondida nas sucessivas audições.
É uma obra com alguma escuridão, que ao mesmo tempo que envolve o ouvinte e o deixa num estado de torpor sonolento, não deixa que a monotonia se instale à custa da variedade que apresenta, das várias camadas de drones, de batidas, de melodias, e do facto de mostrar sempre pormenores novos a cada audição.

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terça-feira, março 16, 2004

Skinny Puppy de volta!

Regozijai! Segundo o site alemão wallsoffire.de, o regresso aos albuns dos Skinny Puppy já tem nome e até tracklist. O próximo mês de Maio é a data prevista para o lançamento.
"The Greater Wrong of the Right"
1. I'mmortal
2. Pro-test
3. EmpTe
4. Neuwerld
5. Ghostman
6. dOwnsizer
7. Past Present
8. Use Less
9. Goneja
10.DaddyuWarbash


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Lycia : "Empty Space" (Silber, 2003)



Os Lycia conseguiram finalmente editar este "Empty Space", que se encontrava quase finalizado desde 1999. Este é o verdadeiro sucessor do planante e místico "Estrella", o album que me fez apaixonar por este grupo americano.
Alguma história: começaram em 1988 como um projecto a solo de Mark Vanportfleet mais alguns músicos convidados, sendo que o primeiro album "Ionia" apenas apareceu em 1991, lançado pela Projekt. A vocalista Tara Vanflower (e entretanto esposa de Mark) apenas se juntou ao grupo em 1994. O projecto tem sofrido alguns períodos de paragem forçada, principalmente devido à saúde de Mike (diabetes), mas também devido ao desapontamento com a indústria musical.
Um desses períodos de paragem aconteceu durante as gravações deste album, em 1999, que ficou entretanto na gaveta e do qual foram lançados 5 temas em exclusivo na página do grupo no site mp3.com.
Desde aí, decidiram reactivar o projecto e lançaram em 2002, na Projekt, o album TRIPPING BACK INTO THE BROKEN DAYS, apenas gravado pelo casal, e que era para ser lançado como sendo um trabalho do seu projecto paralelo Estraya, uma aventura acústica e algo dark-folk dos dois.
Entretanto saem da Projekt e decidem procurar outra editora para lançarem o tal esquecido "Empty Space", anunciando que será o último album do grupo. Esperemos que mais uma vez lhes seja possível voltar...
E agora a música. Os Lycia continuam muito parecidos com os primeiros tempos, assentando principalmente em caixa de ritmos e som de guitarra bastante processada, os instrumentos de eleição de Mike Vanportfleet. Depois os convidados acrescentam normalmente o baixo e sintetizadores. É o que acontece neste album, o som continua intemporal, sem se conseguir ligar a uma determinada época, e é distintamente Lycia. As melodias estão mais viciantes, este será talvez o album deles que mais se aproxima da pop, apesar de se distinguirem pontos de contacto com o industrial e o gótico.
A voz de Tara é muito doce, muito suave. Lembra florestas, bosques, contemplação. Desarma e encanta. Os temas cantados por Mike Vanportfleet são mais "sérios", passam um sentimento de desespero enorme, como se estivéssemos no alto de um precipício a balançar com o vento.
Um album imprecindível para os fans, mas que deve ser ouvido mesmo por aqueles que nunca tinham ouvido falar deste grupo, que é citado frequentemente como influência de muitos dos mais jovens exploradores, do gótico ao industrial, passando pela electrónica. É um excelente ponto de entrada para cativar mais devotos para a causa.

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sexta-feira, março 12, 2004

CONTRA O TERRORISMO

Para tudo há uma razão escondida, e é preciso identifica-la e acabar com uma das piores pragas do nosso tempo. Mas neste momento este blog interrompe o seu curso natural para mandar uma mensagem não musical. Que as vitimas do ataque de Madrid sejam confortadas no seu sofrimento, que os responsaveis do ataque em Madrid sejam encontrados e punidos, que se faça algo para que este sofrimento desnecessario não se repita. Basta de sofrimento e dor. Soluções pacificas são necessarias e os criminosos devem ser confrontados com os seus crimes.

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MONDO BIZARRE #18 SAIU!



Com artigos sobre:

Soledad Brothers – Lambchop – Oneida - Fantômas – Bobby Conn – Felt – cLOUDDEAD – Hipnótica - Mr. David Viner – Pearlene - Bernardo Devlin - Liars - Baton Rouge - Vibracathedral Orchestra - Rita Carmo - Shins - Keren Ann/Lady & Bird/Bang Gang - Os Melhores do Ano - Einstürzende Neubauten - Probot - The Ponys - Monster Magnet - Neurosis & Jarboe - The Fiery Furnaces - Franz Ferdinand - Gluecifer - Diamanda Galás - The Vicious 5 - 90 Day Men

É sempre uma boa noticia saber que há uma nova Mondo Bizarre para ler.

JAMIE LIDELL NO LUX



Um dos melhores performers da música electrónica actual vem finalmente a Portugal!

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quinta-feira, março 11, 2004

LIARS "THEY WERE WRONG SO WE DROWNED"



(hoje não paro)

Mais um disco, que já foi ouvido primeiro em mp3, agora em CD. Estive indeciso entre comprar e não comprar, pois estava mesmo na borderline, mas audições mais recentes levaram-me a decidir pela compra. Os Liars lançam um álbum de charneira que pode significar uma de duas coisas: este é o "The Bends" deles, e o próximo álbum será uma obra-prima ou então vão continuar sempre numa penumbra estranha de banda que promete mas nunca consegue cumprir totalmente o que parece estar latente nela. Assim neste rock com pitadas de industrial e pós-punk, há qualquer coisa que parece estar debaixo da superficie. O tempo dirá. Para já temos aqui um disco rock bem mais interessante que os de Franz Ferdinand ou White Stripes.


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FRANZ FERDINAND "FRANZ FERDINAND"

Não gosto da voz, é irritante. A música lembra-me Strokes. Eu até gostei do primeiro álbum dos Strokes. Estes Franz Ferdinand não me aquecem, nem arrefecem. São mais uns gajos. Como muitos que andam por aí. Os putos que gostam de rock certamente que se vão agarrar a isto com unhas e dentes, mas eu não vou. Já não tenho pachorra para comida requentada. Se ouvir num bar ou na rádio não fujo, mas reouvir isto espontaneamente duvido. Agora com licença, vou mandar os mp3 para o recicle bin.

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SQUAREPUSHER "ULTRAVISITOR"



Quando há uns anos saiu o "Go Plastic" do Squarepusher fui um dos que pensou que o Tom Jenkinson tinha perdido o norte, com cedências escusadas a um drum'n'bass próximo do UK Garage mais popular. A queda parecia-me inevitavel, mas o álbum "Do you know Squarepusher?" trocou as voltas: apesar de ainda não estar ao seu melhor nível, surpreendia por ter um som mais industrial por vezes a lembrar Coil e por ter uma versão muito fiel do "Love will tear us apart" dos Joy Division. O 2º CD ao vivo desse álbum fazia lembrar os tempos do "Go Plastic", mas ainda assim fiquei com a ideia que o Squarepusher ainda estava longe de estar arrumado. E eis que sai o "Ultravisitor", com uma foto na capa do Tom Jenkinson numa pose que me lembra... Joy Division. Todas as pistas deixadas em "Do you know Squarepusher?" são exploradas agora com mais afinco e convicção, resultando num álbum fortemente personalisado em que as facetas do autor são revisitadas e recontextualizadas num conjunto sólido. As explosões de aplausos aparecem, a lembrar a fúria das actuações ao vivo (que eu testemunhei uma vez em Londres, acreditem, é explosivo). Há muito baixo neste álbum, tocado pelo próprio, a lembrar o "Music is rotted one note". Há drum'n'bass furioso, misturado com trash metal e sonoridades góticas ("Steinbolt"). Há momentos introspectivos e aproximações ao jazz. E há um artista que se reencontrou consigo próprio, e que voltou para nos oferecer um álbum digno dos anteriores "Feed me weird things" e "Music is Rotted one note". Entre a fúria e a calma, entre orgãos de igrejas infernais e paisagens urbanas a lembrar os sons noturnos do Miles Davis.

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quarta-feira, março 10, 2004

FESTIVAIS...

Há uma febre de festivais de Verão em Portugal. Começou há alguns anos, e tem vindo a tornar-se mais forte, substituindo a dos "concertos de estádio de futebol". Comenta-se o line-up desses festivais como antigamente se comentava os nomes dos ciclistas da Sicasal e da Troia-Marisco em Agosto durante a Volta a Portugal em Bicicleta. Pois eu nunca me apetece a ir a nenhum desses festivais, mais não são do que um mainstream melhorado com um ou outro artista "mais alternativo", mas sem risco, sem provocação.

Mas a estes festivais ia de certeza.

ATP, em Inglaterra:

MOGWAI »
SHELLAC »
TORTOISE »
BOREDOMS »
CAT POWER »
ISIS »
TRANS AM »
PART CHIMP »
MIKE WATT + THE SECONDMEN »
MIKE WATT + THE JOM & TERRY SHOW »
LIGHTNING BOLT »
KID606 »
TODD »
BOBBY CONN »
ENVY »
JAMES ORR COMPLEX »
ATOMBOMBPOCKETKNIFE »
THE DISHES »
MCLUSKY »
A WHISPER IN THE NOISE »
ENTRANCE »
UZEDA »
STINKING LIZAVETA »
FRENCH TOAST »
AZITA »
CONVERGE »
THE SECONDS »
LUNGFISH »
GROWING
TURBONEGRO »
ACID MOTHERS TEMPLE »
SUN CITY GIRLS »

LUKE HAINES
PAPA M
NOBUKAZU TAKEMURA + AKI TSUYUKO
DEAD MEADOW
ARCWELDER
BOTNLEDJA
PREFUSE 73 »
PHILLIP ROEBUCK
SONIC BOOM

RE~TG também em Inglaterra:

THROBBING GRISTLE
COIL
CARTER TUTTI
THEE MAJESTY
MATMOS
SCANNER
PANSONIC
RICHARD H.KIRK
MERZBOW
BLACK DICE »
PITA (MEGO TAG TEAM)
JIM O'ROURKE (MEGO TAG TEAM)
RUSSELL HASWELL (MEGO TAG TEAM)
F.M EINHEIT
THIGHPAULSANDRA
COH (MEGO TAG TEAM)
PURE (MEGO TAG TEAM)
NORIKO TUJIKO (MEGO TAG TEAM)

Festivais em Portugal? BOF!

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Hipnótica vs. Loto vs. Gomo no Blitz

Depois de ler a crítica ao album dos Loto no Blitz de ontem, fico com a sensação que a nota que lhes foi dada (8/10) pelo jornalista Pedro Gonçalves é justificada com o facto de eles imitarem outras bandas, como os New Order, Primal Scream ou Happy Mondays, fazendo uma imitação competente. O Gomo também é bastante elogiado, sendo apelidado de "Beck Português" ou de fazer lembrar os Air.

Os Hipnótica viram o seu último trabalho, "Reconciliation", ser avaliado no Blitz por 7/10, pelo jornalista Jorge Mourinha. Nessa crítica foram criticados (e note-se que aqui a palavra é "criticados" e não "elogiados" como nos casos anteriores) por serem, supostamente, muito parecidos com David Sylvian. Isto além de ser dito que muito pouco do que está no album é original, e soa a imitações do jazz dos anos 50-60, além de Miles Davis dos anos 80.

Notam-se aqui duas abordagens bem diferentes. De um lado temos elogios à imitação e à falta de idéias e personalidade próprias. Do outro temos críticas a uma postura outsider no panorama da música feita por portugueses, além de acusações descabidas de se imitar isto ou aquilo. Quando muito os Hipnótica foram "influenciados por". Não me parece que tenham imitado seja quem for, ao contrário de outras bandas.
Mas será que há determinados géneros que são aceites que se imitem, e outros que nem por isso? Deveriam os Hipnótica ter mesmo imitado bandas de um género mais aceite para terem direito aos elogios que levam os Loto, o Gomo ou mesmo os X-Wife?

Foi pena que o album dos Hipnótica não tivesse sido criticado no Blitz pelo jornalista Jorge Manuel Lopes, que penso lhes faria mais justiça ao magnífico album que lançaram. Um dos mais interessantes criados por portugueses, para juntar ao "Comum" dos Três Tristes Tigres, ao "Oblique Musique" de Kubik ou ao "Lá où je dors" de Pedro Tudela, só para citar alguns.

Para além disto, quero deixar aqui claro que não concordo com as comparações feitas na crítica do Blitz ao album dos Hipnótica. Jazz dos anos 50-60 e Miles dos anos 80? Notam-se, isso sim, influências dos albuns "In A Silent Way" e "Bitches Brew" de Miles Davis (ambos 1969), dessa sua fase de fusão jazz-rock. É curioso que as influências desta fase de Miles Davis são muito mais acesas (com samples, citações e tudo) no album "Motion" dos Cinematic Orchestra, e isso nunca foi um problema para a crítica, antes pelo contrário, sempre o consideraram obra prima ou perto disso (eu também gosto muito do album).
Outra influência que se nota no album dos Hipnótica é a de Alice Coltrane, principalmente do album "Journey in Satchidananda" de 1970. Nada do Miles dos 80s, penso eu.
Continuam-se a notar os ambientes futuristas de William Gibson, da Singapura como descrita por este autor, de um oriente misturando hi-tech com as tradições milenares. Paz e solidão urbana.
Um grande album!

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segunda-feira, março 08, 2004

NOTICIAS DOS BOARDS OF CANADA



Segundo a Warp (www.warprecords.com):

Boards of Canada's best-selling debut album Music Has The Right To Children will be reissued worldwide on 5th April 2004, featuring the extra track Happy Cycling (Previously available on their Peel Session and on the US version of "Music has the right..") The album will also be fully repackaged in a lush foldout
cardboard Digipak sleeve.



A new album from Boards of Canada will be released in 2004.




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Club Fórum Sons #1 - apareçam!



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Pelican : "Australasia" (Hydra Head)



Os Pelican são quatro senhores de Chicago, e mostram neste magnífico album de estreia com se pode fazer metal instrumental (ou simplesmente instro-metal, como aparece na publicidade ao album) cheio de emoções e inteligência.
Editam na mesma editora dos ISIS, é o próprio Aaron Turner que lhes desenha o layout dos cds, mas as comparações devem ficar por aqui.
Três dos quatro elementos do grupo pertenciam a um grupo de grindcore chamado Tusk, e isso nota-se nos seis temas que preenchem os 50 minutos do album. Há aproximações a Carcass, a Godflesh ou mesmo os Paradise Lost de "Icon". No entanto o som das guitarras é algo "abafado", dando a idéia de ter algo a ver com o stoner-rock.
Mas mais do que a forma, o conteúdo é o que realmente faz com que os Pelican se distingam de tudo o resto. Emitem torrentes de emoções, ora com a lentidão de um tanque de guerra após a batalha, ora com a rapidez e elegância de uma ave de rapina. Música para complementar paisagens (experimente-se ouvir este album em viagem), com melodias cinemáticas, cheia de pormenores e variações que nunca deixam que a monotonia se instale.
Um disco a ouvir com urgência. Sinto-me tentado a compará-los com os Mogwai ou Godspeed You! Black Emperor, apesar de estarmos a falar de estilos algo diferentes. No entanto, cá vai:
Em relação aos primeiros, os Pelican estão num campeonato distinto, e quanto a mim superior. Mesmo ouvindo-se o quinto tema do album (uma gema acústica com o que os Pelican chamam uma "singing saw", uma serra tocada com um arco de violoncelo), este é superior a qualquer dos temas do último album dos Mogwai, "Happy Songs For Happy People"
Em relação aos gy!be, têm também a capacidade de transmitir as mais variadas emoções. Em contraste, os Pelican são mais subtis, tendo em conta que não necessitam do esquema "vai acima e vem abaixo" para obterem resultados semelhantes ou mesmo superiores.

Podem ouvir um excerto em mp3 do primeiro tema do album em:


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sexta-feira, março 05, 2004

HIPNOTICA "RECONCILIATION"



Há uns 4 ou 5 anos atrás (o tempo passa) ouvi pela primeira vez os Hipnotica, quando me emprestaram o primeiro álbum "Enter". A reacção não podia ser melhor: habituado a ouvir bandas portuguesas que tentam desesperadamente estar na moda, mas na realidade estão sempre dois ou três passos atrás, eis que finalmente aparece uma banda com o som certo na altura certa. Foram, de resto, bons anos para a música portuguesa, pois, coincidência ou não, na altura apareceram mais bandas portuguesas que pela primeira vez em muito tempo pareciam estar a viver o seu tempo: Belle Chase Hotel, Stealing Orchestra, Kubik, Clockwork, The Gift e, claro, os citados Hipnotica. O tempo passou, e os Clockwork desapareceram (andam por aí os Bildmeister), os The Gift tornaram-se a banda do Nuno Galopim e os Belle Chase Hotel andam um pouco desaparecidos. No fundo o espectro estreitou-se para três bandas (os Stealing Orchestra editaram um belo álbum no ano passado), e a expectativa em relação ao "Reconciliation" era equivalente ao medo de ver os Hipnotica também a diluirem-se na memória.

Receios infundados. Logo à primeira audição voltei a ter exactamente a mesma sensação que tive com o "Enter": a de estar a ouvir algo novo. Muito baseado em sons não tão modernos (há aqui muita coisa a lembrar a Alice Coltrane), mas numa perspectiva ainda pós-rock, como se os Tortoise e os Sofa Surfers se juntassem para fazer música. Lisboa, curiosamente, aparenta ficar no meio, entre Chicago e Viena. Também o "Reconciliation" faz um pouco mesmo, musicalmente. E se o primeiro tema "Apart from la folie ordinaire" é muito bom, as duas últimas canções são excelentes. "Voyage to innerself" é electrónica impregmentada de jazz que tanto lembra paisagens japonesas como os Tortoise dos tempos do "TNT", enquanto que "Morocco" é uma nova viagem interior, algures entre DJ Shadow e os ambientes mais escuros do dark-ambiente (há ecos de Steve Roach neste tema). Um disco excelente, que por acaso é português.

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quinta-feira, março 04, 2004

Já agora...

Aproveito para deixar também uma lista dos discos que mais me marcaram:

Skinny Puppy : "Last Rights"
Autechre : "Tri Repetae" & "Confield"
Amon Tobin : "Supermodified"
Future Sound Of London : "Dead Cities"
Photek : "The Hidden Camera"
Neotropic : "15 Levels Of Magnification"
Aphex Twin : "Selected Ambient Works Vol. 2"
Orbital : "Snivilization"
Ministry : "The Mind Is A Terrible Thing To Taste"
Portishead : "Dummy"
Nirvana : "Nevermind"
Sonic Youth : "Sister"
The Stone Roses : "The Stone Roses"
Twine : "Recorder"
Biosphere : "Cirque"
Vladislav Delay "Multila" & "Entain"
El-P : "Fantastic Damage"
Cannibal Ox : "The Cold Vein"
Disposable Heroes of Hiphoprisy : "Hypocrisy is the Greatest Luxury"
Paradise Lost : "Icon"
John Coltrane : "A Love Supreme"
Tom Waits : "Bone Machine"

e há muitos mais... Aquele cliché da "ilha deserta" também se aplica aqui, fico muito mais feliz com estes cds perto de mim.

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No Fórum Sons perguntou-se quais são os discos da nossa vida. Eu escolho estes, sem nenhuma ordem especial:

REM "Murmur"
Pixies "Bossanova"
U2 "The Unforgettable Fire"
Faith no More "Angel Dust"
Sonic Youth "Evol"
Future Sound of London "Lifeforms"
Mercury Rev "Yerself is Steam"
The Young Gods "L'Eau Rouge"
Einstürzende Neubauten "Tabula Rasa"
Tortoise "Millions now living will never die"
Portishead "Dummy"
Nirvana "Nevermind"
Autechre "Tri Repetae"
Sepultura "Chaos AD"
Disposable Heroes of Hiphoprisy "Hypocrisy is the Greatest Luxury"
Björk "Debut"
Mão Morta "Mutantes S21"
godspeed you black emperor! "slow riot for a new zero kanada"
Pulp "Different Class"
Radiohead "Pablo's Honey"

E certamente que me estou a esquecer de uns quantos... E fico a pensar que nestas coisas muitas vezes não é qualidade que conta, mas mais o momento em que são ouvidos.

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quarta-feira, março 03, 2004

Para ouvir

Aqui vai uma lista discos que irão ser lançados brevemente e que conto ouvir:

Many Fingers - Many Fingers
Squarepusher - Ultravisitor
Deadbeat - Something Borrowed, Something Blue
Errorsmith - Near Disco Dawn: Live Recordings 2001-2003
The Orb - Bicycles & Tricycles
OOIOO - Kila Kila Kila
Shannon Wright - Over the Sun
To Rococo Rot - Hotel Morgan
Blockhead - Music By Cavelight
Mission Of Burma - ONoffOn
Reverbaphon - Our Hearts Beat With Joy
Black Dice - Creature Comforts
David Grubbs - A Guess At The Riddle
Venetian Snares - Huge Chrome Cylinder Box Unfolding
Luke Vibert & Jean-Jaques Perrey - Moog Acid

E segundo a Ampola, vem aí novo álbum dos Sonic Youth!

Vamos lá então procurar as promos no soulseek.

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Reaudição: GIANT SAND "CHORE OF ENCHANTMENT"

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Ontem foi dia de re-ouvir este álbum dos Giant Sand, a banda do Howe Gelb mais o Joey Burns e o John Convertino dos Calexico. O Howe Gelb é certamente uma das personalidades mais peculiares da música actual, como foi possivel testemunhar no ano passado ao vivo num concerto em Lisboa. Este álbum corresponde justamente ao melhor momento deste músico americano, tendo sido editado pouco depois do belo disco a meias com a Lisa Germano, nos OP8. As canções são envolventes, apesar de aparentemente mal alinhavadas, e faz-me sentir um pouco nostalgico de uma época em que o Alt Country me parecia fazer sentido. O que se passou depois é conhecido: o Howe Gelb passou para uma carreira a solo, pois o aumento forte da popularidade dos Calexico tornou incompativel a manutenção dos Giant Sand, e actualmente a magia destes tempos que nos deram álbuns como "Slush" dos OP8, "The Black Light" dos Calexico e este "Chore of Enchantment" dificilmente se repetirá. Resta-me ouvir estes discos e dar largas à minha veia nostalgica.

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Pixel : "Display" (raster-noton 2003)

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Mais um lançamento na série Raster-Post da editora alemã Raster-Noton, desta feita é o album de estreia do dinamarquês Jon Egeskov, de 31 anos, músico com formação académica na área do jazz. Aventura-se agora na electrónica e apresenta um album muito interessante.
Encontram-se as percussões granuladas e ásperas habituais em Alva Noto e no movimento mais minimalista da IDM actual, mas a electrónica aqui feita não se move pelos clichés do género. Aproxima-se mais do industrial perverso dos Throbbing Gristle e dos padrões fabris e marciais dos Pan Sonic de "Aaltopiiri" e dos Autechre de "Second Bad Vilbel" (ouça-se o último tema "Hardcore"), misturados com padrões rítmicos que por vezes se parecem aproximar do free-jazz.
Tudo construído com muito apuro formal (quase se ouve Genesis P. Orridge a gritar "Discipline! I want some discipline in here!"), um sentido muito apurado anti-monotonia, e alguns resquícios de melodias aqui e ali.
Não é um disco fácil, as emoções estão bastante escondidas, o que vence é mesmo o prazer cerebral. Mas vale a pena experimentar.

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terça-feira, março 02, 2004

cLOUDDEAD de volta



Os cLOUDDEAD, uma das pontas de lança da Anticon, acabam de lançar um álbum novo (o "Ten") e um 12" novo ("Dead Dogs Two", com uma remistura dos Boards of Canada), na Europa através da Big Dada (da Ninja Tune). Desde a primeira vez que ouvi coisas da Anticon (justamente o "cLOUDDEAD", primeiro álbum deles) muita coisa evoluiu, não só no som característico deste movimento, mas também na forma como me relaciono nesta estranha música, algures entre o HipHop, a Folk e a Electrónica (e algum fumo dos My Bloody Valentine). Já plenamente conquistado pelos últimos álbuns de Sole e Alias, é com um enorme prazer que ouço agora estes discos, que são o resultado da maturação de um projecto que está agora a atingir o seu pico de criatividade. Isto não é bem HipHop, mas é provavelmente a música mais inovadora que se consegue achar no mercado. Ouçam, portanto, este disco, e deixem-se levar pelas palavras abstractas do Doseone e do Why?. Um dos discos do ano, certamente.

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Problema técnico resolvido: já é possivel fazer comentários no Blog!

A partir de agora, começam os posts a sério: ferozes críticas a discos de HipHop comercial e elogios enormes aos Autechre, Skinny Puppy, Tortoise e El-P.

Fasten your seat belts!

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BOAS VINDAS!!!

Ao Luís, que encontrou o seu espaço para se lamentar! Muito bem!!! :D


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Olá mamã, também já escrevo num blog.
Aqui fica a minha participação, que espero ser a primeira de muitas postas de pescada sobre o maravilhoso mundo do espectáculo, rádio, televisão e cd pirata.

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DANI SICILIANO NO LUX

Devo dizer que o disco da Dani ainda não me conquistou (embora ainda não o tenha posto de lado), e quando parti para o Lux ia na expectativa de ser definitivamente conquistado pela sonoridade da Dani. E, então, depois de uma espera secante no Lux até à hora do concerto (cada vez aquele sitio me irrita mais, com aquele design clean/gay de trazer por casa), lá fui para baixo assistir ao concerto já depois da 1 da manhã (óptimo para quem no dia seguinte tinha que trabalhar cedo ). E houve o concerto... bem, resumo de um concerto, diria eu, é que foi extremamente curto, talvez uns 50 minutos, se tanto! Mas tudo bem, podia ser muito bom os 50 minutos, podiam valer por 70, blá, blá. Não foram. Foram 50 minutos secantes. O concerto foi muito fraco, com a Dani a tomar opções estéticas que podem render um concerto "energético" e com capacidade de "puxar pela audiência", mas sem imaginação, criatividade e, acima de tudo, com um enorme desperdicio de talento. Em vez de um concerto que explorasse o lado mais inventivo da Dani (a fusão da "microtrónica" com elementos de jazz a lembrar Miles Davis), assistiu-se a uma capitulação ao som mais popular do triângulo das Bermudas: o HipHop pegajoso do Timbaland (lembrei-me da Missy Elliott), o electroclash (AAAAAAAAAAARGH!) e o TripHop de antanho dos Lamb (!) e dos Gift (!!!!). Bem, funcionou muito bem no Lux: aquela malta queria exactamente aquilo! Um concerto com a energia do rock! Mas... sem a subtileza de sentimentos de que a Dani é capaz... Já assisti a um concerto sem uma única cedência ao popularucho (igualmente energético) pela parte do amigo dela, o Jamie Lidell, e apetece-me dizer que a Dani fazia bem em ver o que ele faz com atenção: um electrofunk microelectrónico marado e acima de tudo, futurista. A Dani não foi futurista: foi involuntáriamente retro. Restou a simpatia da Dani Siciliano e a demonstração de que ela tem realmente muito talento. Está é a ser um pouco desperdiçado. Talvez daqui a uns tempos, com a máquina oleada, a coisa resulte melhor, mas por enquanto os meus anticorpos anti-Gift começaram de imediato a actuar...

Ah, um 6/10.

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segunda-feira, março 01, 2004





Irá ser um destes álbuns o meu disco do ano de 2004?

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Mudança de layout (assim é mais agradável) e introdução de uma novidade: os discos de 2004 ouvidos, e com notas! E assim acontece...

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Aqui estou eu de novo! Vou arrancar em definitivo com o Blog, apesar de algumas questões técnicas não estarem resolvidas (falta a hipótese de colocar comentários). Haja tempo para resolver essa questão. Mas a partir de hoje contem com actualizações regulares deste Blog, normalmente sempre sobre música!

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